A parcela de estudantes brasileiros que relatou sofrer bullying permaneceu estável entre 2022 e 2025, segundo os resultados do Pisa 2025 divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre os alunos de 15 anos avaliados, 17% disseram enfrentar alguma forma de agressão algumas vezes por mês ou com frequência maior. Na média da OCDE, o índice foi de 20%.
O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (8) e mostra que, na maioria dos países e economias participantes, a ocorrência do problema aumentou no mesmo intervalo. No Brasil, a proporção registrada em 2025 não apresentou mudança significativa em relação a 2022.
Cyberbullying e uso de dispositivos
A exposição a agressões no ambiente digital alcançou 3% dos estudantes brasileiros. Esse grupo afirmou que informações incômodas ou prejudiciais foram publicadas sobre ele na internet, sem autorização, ao menos algumas vezes por mês nos 12 meses anteriores à aplicação da avaliação. O percentual foi igual ao da média da OCDE.
Os estudantes brasileiros usam dispositivos digitais por 1,3 hora diária, em média, para atividades de aprendizagem. O número ficou abaixo das 1,7 hora observadas na OCDE. Para tarefas que não estão ligadas ao aprendizado, o uso chega a uma hora por dia no Brasil.
A distração durante as aulas também foi registrada pelo estudo. Um quarto dos estudantes brasileiros disse que os colegas costumam perder a atenção com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de ciências. Na OCDE, essa proporção foi de 28%.
Entre os países da organização, os alunos que relataram esse tipo de distração tiveram, em média, desempenho 11 pontos inferior em ciências. No Brasil, a diferença foi de 19 pontos.
Escolas ampliam bloqueio a celulares
A presença de regras contra celulares aumentou no Brasil. Em 2025, 81% dos estudantes frequentavam escolas que não permitiam os aparelhos nas dependências, ante 37% em 2022. Na média da OCDE, o percentual subiu de 34% para 49%.
O Pisa identificou ainda que, considerando a média dos países da organização, estudantes submetidos a essa restrição apresentavam probabilidade cerca de 13% menor de relatar distrações provocadas por dispositivos digitais.
A avaliação também registrou desempenho brasileiro inferior à média da OCDE em ciências, matemática e leitura. Esses resultados fazem parte da análise sobre bullying, cyberbullying e tecnologia no ambiente escolar.







