Fabricantes menores de celulares e notebooks estão redesenhando produtos, testando componentes e revisando custos diante da falta de chips de memória. O principal risco deixou de ser apenas pagar mais: sem fornecimento garantido, as empresas podem não conseguir manter a produção.
A Fairphone, a Jolla e a Framework adotaram estratégias diferentes para enfrentar o problema. Para Raymond van Eck, CEO da Fairphone, a disponibilidade passou a ser decisiva. “Se você não tem alocação, está fora do jogo de qualquer maneira”, afirmou.
A escassez se agravou no fim do ano passado, quando as empresas correram para formar estoques. Nirav Patel, CEO da Framework, disse que isso fez “todo mundo tentar conseguir o máximo de oferta e de estoque que pudesse, o mais rápido possível”.
A Counterpoint Research estima queda de 13,9% nas remessas globais de smartphones neste ano, para 1,08 bilhão de unidades. Se confirmada, será a maior retração anual já registrada. O aumento dos custos também reduz a viabilidade de fabricação de aparelhos de entrada.
Mudanças nos projetos
A Jolla desenvolveu duas versões de placa-mãe para permitir a substituição de um pacote combinado por chips separados. A empresa também testa amostras de todos os lotes recebidos para verificar se os componentes são novos, e não peças recondicionadas revendidas como produtos de primeira mão.
A Framework adotou memória modular desde o início e permite que os usuários reaproveitem módulos de máquinas antigas. A Fairphone, por sua vez, manteve os preços dos aparelhos.
A TrendForce prevê alta de 13% a 18% nos contratos de DRAM convencional neste trimestre, abaixo do aumento de 93% a 98% registrado no primeiro. O impacto é mais forte em celulares na faixa de US$ 400, aproximadamente R$ 2 mil. Segundo van Eck, a memória pode representar quase 60% da lista de materiais desses aparelhos.
A oferta deve continuar restrita. O CEO da SK Hynix afirmou, em julho, que 2027 seria o “pior ano da história da indústria do ponto de vista da oferta”, com a demanda acima da capacidade para além de 2030. A Jolla espera que o fornecimento só volte ao normal a partir de 2028.







