A SNK encontrou uma forma de aproximar novatos e veteranos em Fatal Fury: City of the Wolves: o jogo oferece dois esquemas de controle, mantém recursos avançados para quem busca precisão e acrescenta um modo RPG para um jogador. O resultado é um título de luta em 2D que tenta atualizar a série sem abandonar suas raízes.
Lançado em 24 de abril de 2025 para PS4, PS5 e Xbox Series X|S, o jogo chegou à Steam em 22 de janeiro de 2026. Uma versão para Nintendo Switch 2 está prevista para 22 de outubro de 2026. Desenvolvido pela SNK, é o primeiro título inédito de Fatal Fury em mais de 25 anos e o sucessor direto de Garou: Mark of the Wolves, de 1999. A nota é 8 / 10.
Combate com duas portas de entrada
O REV System é o principal acréscimo à jogabilidade. O recurso pode ser usado em ações ofensivas e defensivas, mas o excesso provoca o superaquecimento do medidor e deixa o personagem vulnerável. A mecânica exige adaptação e pode intimidar no início, sobretudo para quem não está acostumado ao gênero. Com o tempo, porém, acrescenta uma camada estratégica ao combate.
A SNK também separou a experiência em dois estilos. O Arcade Style preserva comandos técnicos e precisos. O Smart Style simplifica a execução de combos e golpes especiais, permitindo que novos jogadores participem das lutas sem dominar sequências complexas. Os dois formatos coexistem sem retirar do jogador experiente o acesso à profundidade do sistema.
O Episodes of South Town amplia a campanha individual. Nesse modo RPG, é possível explorar um mapa, cumprir missões e evoluir os lutadores. A progressão também funciona como uma introdução gradual às mecânicas, além de oferecer uma alternativa para quem não pretende se concentrar no multiplayer.
Arte e elenco fora do padrão
A direção visual é um dos elementos mais marcantes. O jogo usa cores vibrantes, traços grossos e alto contraste para criar uma apresentação inspirada em histórias em quadrinhos. Os golpes especiais são acompanhados por efeitos de cor e linhas dinâmicas, dando à produção uma identidade própria em meio a concorrentes mais realistas.
O elenco começou com 17 personagens e chegou a 31 em setembro de 2026, com as três temporadas de DLC. A previsão é alcançar 34 até o fim do ano, conforme o calendário anunciado. Entre os nomes estão Terry Bogard, Ken e Chun-Li, convidados de Street Fighter, além de Cristiano Ronaldo e do DJ Salvatore Ganacci.
Cristiano Ronaldo é um personagem jogável completo, com movimentos baseados em bola e chutes. A escolha destoa do universo tradicional da franquia, mas dá ao jogo uma combinação pouco usual de lutadores clássicos e convidados.
Online consistente, apresentação irregular
As partidas online usam netcode com rollback e contam com crossplay entre plataformas. Na prática, as lutas são rápidas e fluidas, enquanto a busca por adversários ocorre de forma ágil. O jogo também oferece multiplayer local.
As limitações aparecem na narrativa e nos menus. O modo história apresenta diálogos em caixas de texto e não investe em cutscenes animadas mais elaboradas. Embora o conteúdo conclua o arco de Rock Howard, a forma de apresentação parece estática diante do cuidado empregado no combate e na direção de arte.
A interface segue o mesmo caminho. Alguns menus têm textos pequenos e navegação pouco intuitiva. No PC, o mouse não funciona na navegação, obrigando o uso do teclado. A edição para computador está disponível na Steam, mas a experiência se mostra mais adequada a consoles e controles.
A edição padrão custa R$ 59,99. Também há versões Legend, por R$ 95,52, e Revenge, por R$ 199,00. O jogo não está no Game Pass nem no PS Plus. A interface e as legendas estão em português brasileiro, sem dublagem, com áudio em inglês e japonês.
Para quem procura um jogo de luta com elenco variado, combate técnico e uma opção individual além das partidas competitivas, Fatal Fury: City of the Wolves entrega um pacote consistente. A narrativa estática, os menus confusos e a adaptação inicial ao REV System são obstáculos, mas não anulam os recursos centrais da produção.







