São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Mensagens e documentos apontam contatos de Vorcaro com cinco ministros do STF

Registros da Polícia Federal citam relações de Daniel Vorcaro com ministros e familiares, além de pagamentos e encontros ligados ao Banco Master.

Mensagens e documentos apontam contatos de Vorcaro com cinco ministros do STF

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e documentos relacionados ao caso apontam contatos pessoais e profissionais do ex-banqueiro com cinco ministros do Supremo Tribunal Federal: Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Alexandre de Moraes, André Mendonça e Luiz Fux.

Toffoli foi o primeiro relator do processo, mas deixou a função em março depois de a PF encaminhar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório sobre transferências financeiras entre uma empresa de sua família e fundos ligados ao Master. O ministro é sócio da Maridt, que tem participações no resort Tayayá, e também teria viajado, em julho de 2025, em avião de uma empresa que tinha Vorcaro como sócio.

A condução de Toffoli havia sido questionada por decisões como o reconhecimento da competência do Supremo para julgar o caso, a convocação de uma acareação com um diretor do Banco Central, a imposição de sigilo elevado e a nomeação de peritos pelo gabinete. Em plenário, o ministro afirmou que “vários magistrados são donos de empresas”.

Moraes e Mendonça

Mensagens analisadas pela PF indicam que Vorcaro perguntou a Alexandre de Moraes se deveria sair do país dois dias antes de ser preso. Em 15 de novembro de 2025, escreveu: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na segunda-feira (17), foi detido quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

A PF também apontou que Moraes teria feito alterações em um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master. O ministro nega ter conversado com Vorcaro no dia da prisão e classificou a acusação como “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”. Documentos ainda registram viagens de Moraes e Viviane Barci em jatos de empresas de Vorcaro ou relacionadas a ele entre maio e outubro de 2025.

Mensagens indicam que Vorcaro se encontrou com André Mendonça em São Paulo, em 14 de março de 2025, após articulação de um advogado e do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Mendonça confirmou posteriormente o encontro e disse que a conversa durou entre 20 e 30 minutos, com foco em precatórios do Master.

Vorcaro também foi convidado em pelo menos duas ocasiões para eventos do Instituto Iter, criado por Mendonça. Um deles foi um debate restrito no Hotel Fasano, em Belo Horizonte, sem confirmação de participação do ex-banqueiro. Em 3 de setembro deste ano, Mendonça deixou a sociedade do instituto, transferindo suas cotas sem contrapartida. Depois, Flávio Dino solicitou a Fachin uma investigação formal sobre os vínculos entre o Master e o Iter.

Nunes Marques e Fux

Conversas entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Master, mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho de Kassio Nunes Marques, por meio da Consult Inteligência Tributária. Em 1º de outubro de 2024, Rennó também comunicou a Vorcaro uma decisão do STF favorável a uma destilaria que receberia indenização da União. O Master mantinha em seu balanço uma carteira de precatórios sucroalcooleiros estimada em R$ 10 bilhões.

Kassio havia se declarado impedido no julgamento, mas reviu a posição e desempatou a decisão favorável à destilaria. Na sessão de 15 de setembro, negou relação com Vorcaro e afirmou que o filho nunca prestou serviços nem recebeu pagamentos do banco. Ainda assim, deixou de participar da votação sobre o caso.

A assessoria de Kevin informou que ele recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços jurídicos tributários, sem relação com o STF. A assessoria de Kassio afirmou que o ministro nunca votou a favor do Banco Master e que seu filho nunca recebeu dinheiro de Vorcaro.

Mensagens também mostram proximidade entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux e advogado. Rodrigo teria pedido que informações sobre um compromisso em Londres fossem enviadas à secretária do ministro no Supremo por um endereço de e-mail com domínio institucional da corte. Fux negou qualquer relação com Vorcaro. O escritório de Rodrigo afirmou que nunca advogou, prestou serviços ou recebeu valores do ex-banqueiro, do Master ou de empresas e fundos ligados ao grupo.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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