A Polícia Federal suspeita que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tenha tentado influenciar o voto do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em um processo sobre precatórios da destilaria Alcídia, do grupo Atvos. O caso envolvia uma indenização cobrada da União por prejuízos atribuídos à década de 1980.
A apuração consta de um relatório mantido sob sigilo há sete meses, sob a relatoria do ministro André Mendonça. O documento foi elaborado a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido em sua primeira prisão, em 18 de novembro de 2025.
Mensagens antes do julgamento
O processo era considerado relevante para o Banco Master porque poderia afetar uma carteira de precatórios que superava R$ 10 bilhões. Em uma mensagem, o diretor jurídico da instituição, André Kruschewsky, afirmou que o julgamento serviria de paradigma para outros casos do banco.
Antes da análise do processo da Alcídia, Toffoli havia votado a favor da União em uma ação envolvendo outra usina, contrariando seu posicionamento anterior em processos semelhantes. Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações que trabalhava com Vorcaro, reagiu dizendo: “Matou a gente.”
Depois disso, Kruschewsky perguntou a Vorcaro se deveriam se movimentar. O banqueiro respondeu: “Tô tratando aqui.” O diretor jurídico também ofereceu ajuda para retirar o processo da pauta. Para a PF, a mensagem sugere que ele aparentava ter acesso ao STF para interferir na tramitação do caso.
O julgamento foi adiado após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. Quando voltou à pauta, Toffoli votou a favor da usina, retomando sua posição anterior. Em 1º de outubro de 2024, o resultado terminou em 3 votos a 2, e um operador do banco informou a Vorcaro: “Ganhamos Alcídia”.
O relatório afirma que as mensagens sobre Toffoli ter “virado o voto” e sobre Vorcaro estar tratando do assunto têm especial relevância por terem sido trocadas antes do julgamento. A PF, porém, declarou que o caso exige aprofundamento e que os elementos ainda não permitem conclusões definitivas.
O documento também aponta contatos diretos e indiretos entre Vorcaro e Toffoli e registra a suspeita de que o ministro seria beneficiário final ou proprietário de fato do fundo Arleen, que teria recebido R$ 35 milhões de Vorcaro. Toffoli ainda não havia se manifestado.







