A investigação sobre o Banco Master entrou em uma disputa interna no Supremo Tribunal Federal que pode comprometer a apuração e ampliar a pressão política sobre a Corte. O ministro Alexandre de Moraes pediu que o colega André Mendonça fosse processado criminalmente, mas o presidente do tribunal, Edson Fachin, rejeitou a solicitação e defendeu o encerramento da investigação sobre notícias falsas.
O conflito ocorre enquanto são examinadas relações entre Moraes, sua mulher e Daniel Vorcaro, administrador do Banco Master. Em novembro passado, o Banco Central fechou a instituição financeira. O texto também descreve o banco como parte de um esquema de Ponzi associado a uma operação de tráfico de influência.
Contratos e mensagens
A mulher de Moraes, que é advogada, foi contratada por Vorcaro para representar o banco. Um relatório divulgado pela Polícia Federal em 1º de setembro revelou uma segunda minuta de contrato, que previa ao escritório dela o direito de usar um jato particular e um helicóptero pertencentes a Vorcaro.
Moraes também teria prestado consultoria a Vorcaro por meio de um recurso do WhatsApp que apaga as mensagens depois da leitura. A frequência dos contatos aumentou antes da prisão do banqueiro, quando ele tentava deixar o país. Moraes nega qualquer irregularidade.
Em 3 de setembro, Moraes pediu a abertura de processo criminal contra Mendonça no âmbito da investigação sobre notícias falsas. O ministro acusou o colega de abusar da autoridade ao divulgar mensagens trocadas com Vorcaro e de agir por motivação política. Fachin indeferiu o pedido e afirmou que a investigação deveria ser encerrada.
Efeito político
Mendonça lidera o caso do Banco Master, mas a Polícia Federal o acusou de interferir na coleta de provas. Em 8 de setembro, ele tentou suspender o chefe da instituição e impedir relatórios de inteligência sobre ministros. O texto também registra que, em 2020, quando era ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Mendonça supervisionou um dossiê sobre policiais e acadêmicos considerados inimigos pelo então presidente.
A crise fortalece aliados de Bolsonaro no Congresso, que prometem pedir o impeachment de ministros do Supremo após as eleições e conceder perdão ao ex-presidente. Os erros processuais atribuídos a Mendonça e as medidas de Moraes em sua própria defesa podem ser usados para tentar encerrar a investigação do Banco Master.
Uma eventual anulação beneficiaria Moraes, outros integrantes da Corte e políticos ligados a Vorcaro. Entre eles está Flávio Bolsonaro, apontado como principal candidato da direita à Presidência. Depois de dizer que nunca havia conhecido o banqueiro, ele foi associado a Vorcaro após o vazamento, em maio, de mensagens de áudio nas quais pediria milhões de dólares.
Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos de prisão por tentativa de golpe, em setembro de 2025, após perder a tentativa de reeleição em 2022. A condenação foi conduzida por Moraes, que também determinou a suspensão de contas de redes sociais de apoiadores do ex-presidente em uma investigação que permanece confidencial.
O desgaste ocorre antes das eleições gerais de 4 de outubro. A confiança dos brasileiros no Supremo, que já enviou dezenas de políticos à prisão por corrupção, aparece como uma das principais consequências da crise institucional descrita no caso.







