BRASÍLIA — Novas mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro alteraram o cenário antes da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisará a possibilidade de investigar o ministro Alexandre de Moraes. Os dados indicam pagamentos de Vorcaro ao filho do ministro Kassio Nunes Marques e uma relação de proximidade entre o banqueiro e o filho do ministro Luiz Fux.
A reunião da Corte está marcada para esta terça-feira, 15, a partir de pedido apresentado pelo ministro André Mendonça. A solicitação se baseia em um relatório da Polícia Federal que registrou que Vorcaro se aconselhou com Moraes às vésperas de sua prisão.
Nunes Marques e Fux eram apontados como ministros com tendência de votar a favor da abertura da investigação sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. Depois da divulgação das mensagens, Nunes Marques declarou-se impedido e não participará do julgamento. Dias Toffoli também se declarou impedido. Fux ainda não se manifestou no plenário.
Disputa antes da sessão
Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Moraes haviam defendido o acesso integral ao celular de Vorcaro antes da análise do caso. Os dados foram entregues aos ministros na segunda-feira, 14. Sinalizações anteriores indicavam que os três tenderiam a votar contra a investigação.
Flávio Dino também é apontado como contrário à apuração e, pouco antes da sessão, tomou uma decisão com suspeitas contra Mendonça. Segundo Dino, o ministro teria favorecido interesses do Banco Master e da Prefeitura de São Paulo em troca de verbas para o instituto Iter, fundado por ele.
A decisão foi tomada em uma ação movida pelo PCdoB sobre a concessão dos serviços cemiteriais de São Paulo. O processo identificou a participação do cunhado de Vorcaro no conselho da concessionária. Dino determinou que a Prefeitura de São Paulo e o Ministério Público de São Paulo apresentem informações sobre o caso.







