São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

STF invalidou trechos de benefícios ampliados por Bolsonaro em 2022

Decisão considerou inconstitucionais partes da PEC Kamikaze, que elevou gastos sociais antes da eleição presidencial.

STF invalidou trechos de benefícios ampliados por Bolsonaro em 2022

O Supremo Tribunal Federal (STF) invalidou parcialmente, em 2024, medidas aprovadas durante o governo Jair Bolsonaro (PL) para ampliar benefícios sociais antes das eleições de 2022. A decisão atingiu trechos da chamada PEC Kamikaze, que permitiu gastos acima do teto e criou benefícios relacionados à alta dos combustíveis.

Por 8 votos a 2, os ministros consideraram inconstitucionais os artigos 3º, 5º e 6º da Emenda Constitucional 103. Os dispositivos criavam um estado de emergência, autorizavam pagamentos extras e zeravam tributos sobre gasolina e etanol. Também liberavam gastos de estados e do Distrito Federal.

A emenda elevou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, aumentou o Auxílio Gás e criou pagamentos para caminhoneiros autônomos e taxistas. O governo também autorizou recursos para o transporte público de idosos, subsídios ao etanol e o programa Alimenta Brasil. Ao todo, Bolsonaro gastou R$ 40 bilhões acima do teto em 2022.

A justificativa para a medida foi a alta dos combustíveis provocada pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele período, a política de paridade de preços fazia com que a Petrobras reajustasse os valores quando o preço internacional do barril subia. A gasolina chegou a custar R$ 9 o litro.

Os recursos foram financiados com precatórios de aposentados e pensionistas da Previdência Social que deixaram de ser pagos em 2022. A despesa foi transferida para 2023 e quitada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro, com aporte extra de mais de R$ 90 bilhões.

O julgamento ocorreu em uma ação proposta pelo partido Novo contra o governo Bolsonaro. O ministro André Mendonça foi o relator e defendeu cautela durante a votação. Cristiano Zanin se declarou impedido, enquanto Kassio Nunes Marques considerou constitucionais todas as medidas. Apesar do reconhecimento da inconstitucionalidade, não houve punição aos responsáveis pela aprovação da proposta.

A discussão voltou ao debate com o reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado por Lula nesta quinta-feira (17), a 17 dias do primeiro turno das eleições. O governo estima custo adicional de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027, mas nega caráter eleitoral para as medidas.

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou um pedido do deputado Zé Trovão (PL-SC) para suspender o reajuste. A decisão não analisou o mérito. O deputado argumentou que a medida não estava prevista no Projeto de Lei Orçamentária encaminhado ao Congresso Nacional em agosto.

Para João Alberto Graça, advogado especializado em direito eleitoral e integrante do Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral (Ibrade), o reajuste atual foi criado por decreto, sem garantia jurídica de manutenção em 2027. Ele afirmou que a Justiça Eleitoral terá de avaliar se a distribuição de benefícios antes da eleição é compatível com a igualdade de chances prevista na Constituição.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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