A eleição para o Senado voltou a ocupar o centro da disputa política, 48 anos depois de ter sido o principal pleito majoritário em um período de eleições indiretas. Em 2026, o comportamento dos futuros senadores diante da crise do STF passou a ser uma das questões mais acompanhadas pelo eleitor.
O debate entre os sete principais candidatos ao Senado será realizado nesta quarta-feira, 23, em promoção da FAAP. Entre os temas esperados estão a possibilidade de impeachment de ministro do Supremo, mudanças nas competências da Corte e alterações na forma de indicação de seus integrantes.
Da disputa estadual ao debate sobre Brasília
Em 1978, Franco Montoro e Fernando Henrique Cardoso disputaram pelo MDB o voto dos eleitores de São Paulo, enquanto Cláudio Lembo concorreu pela Arena. Naquele momento, prefeitos das capitais, governadores e o presidente da República eram escolhidos indiretamente pelo Colégio Eleitoral. O Senado era a principal eleição majoritária em que governo e oposição mediam forças.
O cenário começou a mudar em 1982, quando os brasileiros puderam eleger diretamente os governadores. Em São Paulo, Montoro venceu a disputa. A campanha também marcou o primeiro debate eleitoral na televisão entre os cinco candidatos ao governo e a estreia do nome de Luiz Inácio Lula da Silva em uma cédula eleitoral. Candidato ao Palácio dos Bandeirantes, Lula terminou em quarto lugar.
Em 1986, a eleição dos constituintes não devolveu o protagonismo aos candidatos ao Senado. São Paulo elegeu Orestes Quércia governador, enquanto Mário Covas e Fernando Henrique foram escolhidos para o Senado, tornando-se figuras centrais da política estadual nas décadas seguintes.
Com a retomada da eleição direta para presidente, em 1989, o debate político se deslocou para Brasília. Fernando Henrique participou do debate de 1994 e ouviu uma crítica de Leonel Brizola sobre o Plano Real. A estabilização da moeda contribuiu para sua eleição e sua reeleição em 1998.
Os debates presidenciais continuaram a concentrar a atenção nas eleições seguintes, embora candidatos tenham faltado a alguns encontros. Jair Bolsonaro não participou dos debates de 2018, enquanto Lula deixou de comparecer a alguns em 2022. Para 2026, a expectativa é de uma campanha de primeiro turno com poucos debates entre presidenciáveis e candidatos ao governo paulista, enquanto a eleição para o Senado ganha novamente relevância por causa da crise no STF.







