São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Reajuste do Bolsa Família deve reduzir abstenção entre eleitores de Lula

Analistas avaliam que o aumento de 15% tende a consolidar votos no PT mais do que conquistar indecisos.

Reajuste do Bolsa Família deve reduzir abstenção entre eleitores de Lula
Foto: Silvia Izquierdo/AP

O reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado pelo governo federal a 16 dias do primeiro turno, deve ter maior impacto na mobilização de eleitores que já apoiam Luiz Inácio Lula da Silva do que na conquista de novos votos, avaliam os cientistas políticos ouvidos. A medida também pode ser usada pelo PT para reduzir a abstenção entre sua base.

Antonio Lavareda, presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), identifica três possíveis efeitos. O principal seria estimular a participação de apoiadores de Lula. O benefício também poderia atrair parte dos eleitores que hoje se aproximam de Flávio Bolsonaro, desde que ainda não tenham consolidado essa escolha, além de alcançar beneficiários indecisos ou dispostos a votar em branco ou nulo.

Para Roberto Gondo, professor de comunicação política da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o reajuste estava entre as alternativas disponíveis ao governo para elevar a popularidade. O alcance, porém, seria mais significativo na retenção de um eleitorado que já tende a votar no PT. As pesquisas, segundo ele, indicam que os indecisos estão mais concentrados na classe média, grupo que não é atendido diretamente pelo aumento.

“Pode sim reverter votos, mas não numa escala suficiente pra você trazer eleitores indecisos”, afirmou Gondo. Na avaliação do professor, a comunicação do governo deve enfatizar que o reajuste já ocorreu e que novos aumentos podem ser anunciados na virada do ano, reforçando a mensagem para que os beneficiários mantenham o voto e compareçam às urnas.

Marco Antônio Carvalho Teixeira, professor do Centro de Estudos de Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas, também considera o reajuste uma estratégia de fidelização. Ele afirma que políticas públicas capazes de melhorar de imediato a vida dos beneficiários fortalecem a relação com o eleitor, mesmo quando o aumento é relativamente baixo.

Teixeira citou como precedente a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, quando o Auxílio Emergencial teria produzido efeito eleitoral entre os eleitores de menor renda. Na avaliação dele, a medida ajudou Bolsonaro a avançar nesse segmento social perto da votação.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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