O Bolsa Família voltou ao centro da disputa eleitoral com o anúncio de reajuste de 15% no valor distribuído pelo governo Lula. A medida ocorre em um cenário no qual Flávio Bolsonaro tem 27% dos votos entre os beneficiários do programa, segundo pesquisa BTG/Nexus.
Criados no âmbito federal durante o governo Fernando Henrique Cardoso, os programas de transferência direta de renda são apontados como responsáveis pela redução da pobreza e da miséria no Brasil nas últimas décadas. O Bolsa Família, porém, também passou a ser usado como instrumento de disputa política, com acusações de que adversários pretendiam encerrar o benefício.
Histórico de críticas e reajustes
Em 2000, Luiz Inácio Lula da Silva criticava os programas assistenciais por considerar que poderiam ser usados como instrumento de troca em períodos eleitorais. Na campanha de 2022, o PT apresentou o Fome Zero como alternativa ao Bolsa Escola, antecessor do Bolsa Família. Em 2023, Lula abandonou a proposta e unificou os programas de transferência de renda do governo Fernando Henrique Cardoso sob o nome Bolsa Família.
Em 2010, Lula afirmou, no Paraná, que adversários diziam querer ampliar o programa embora tivessem sido contrários a ele. A estratégia de associar opositores a uma eventual retirada do benefício, segundo o relato, se repetiu ao longo dos anos.
O uso eleitoral do programa também ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro. Em junho de 2022, pressionado pelas pesquisas, o então presidente elevou em 50% o valor do Auxílio Brasil, nome dado ao Bolsa Família durante sua gestão. O benefício passou de R$ 400 para R$ 600, valor que havia sido pago no auge da pandemia de Covid.
Antes de ser eleito em 2018, Bolsonaro também havia feito críticas ao programa. Em 2015, afirmou que pessoas com muitos filhos poderiam passar a depender do Bolsa Família e deixar de produzir. O reajuste anunciado por Lula recoloca o benefício no centro da competição eleitoral, em uma disputa que envolve diretamente o eleitorado atendido pelo programa.







