São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

A crise do Supremo sob a lente de Clarice Lispector

A referência de Cármen Lúcia a Mineirinho é usada para examinar a escalada de decisões e conflitos no STF.

A crise do Supremo sob a lente de Clarice Lispector
Foto: Wilton Junior/Estadão

A ministra Cármen Lúcia recorreu ao texto Mineirinho, de Clarice Lispector, durante a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal que discutia a abertura de inquérito para investigar o ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, afirmou sentir-se envergonhada, pediu desculpas ao povo brasileiro e disse não ter se perdido, mas experimentado a perdição.

A referência remete ao episódio que inspirou Clarice. Um criminoso procurado pela polícia foi morto com treze tiros. Sem ignorar os crimes atribuídos a Mineirinho, a escritora se voltou para o excesso de violência empregado contra ele. Em sua única entrevista gravada, disse que um tiro bastaria para matá-lo e que os demais representavam violência. A força que deveria proteger passou, então, a causar temor.

A análise transporta essa imagem para a trajetória recente do Supremo. O primeiro tiro seria o excesso de decisões monocráticas sobre temas de grande impacto político, econômico e institucional. Em seguida, aparecem a permanência de medidas provisórias por anos e a transformação da exceção em regra, com abandono de ritos e uso de decisões casuísticas.

Também são apontados procedimentos internos considerados incomuns, incluindo uma investigação iniciada e conduzida dentro do próprio Tribunal, com relator designado pela Presidência. A lista inclui ainda o sigilo em assuntos que exigiriam transparência, a confusão entre defesa institucional e proteção de ministros, o personalismo e a ocupação do espaço político por entrevistas, discursos e manifestações fora dos autos.

A sequência prossegue com a justificativa de que os fins poderiam validar os meios, a complacência do colegiado diante de ações de seus integrantes, a perda do senso de medida e a ausência de mecanismos internos ou externos de controle. O décimo terceiro tiro seria o embate público entre os ministros, acompanhado de acusações diversas.

A explosão na sessão é apresentada como resultado de um acúmulo de abusos e equívocos. Nessa leitura, a citação de Clarice Lispector desloca o foco dos erros individuais para os atos da instituição e para a necessidade de escrutínio sobre seus integrantes. O pedido de desculpas, por si só, não encerraria a crise: seria necessário compreender como o Supremo chegou à situação atual e promover mudanças para evitar sua repetição.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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