BRASÍLIA — A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva iniciou, nesta quarta-feira (9), uma mobilização nas redes sociais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Banco Master. A ofensiva ocorreu depois de Lula pedir a abertura integral do sigilo da investigação.
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, cobrou a divulgação de informações relacionadas a Flávio Bolsonaro e afirmou que a falta de transparência poderia comprometer a eleição. “É preciso revelar toda a verdade sobre o candidato suspeito”, disse.
Pouco antes, Lula havia solicitado “explicações e medidas imediatas” para enfrentar a crise institucional que, segundo ele, atingiu o Poder Judiciário. O presidente defendeu a quebra completa do sigilo das investigações envolvendo todos os citados no caso Master e criticou vazamentos seletivos com impacto na disputa eleitoral.
A campanha também pediu que a militância atuasse em grupos de WhatsApp. Uma mensagem no grupo Lulaverso, criado pela campanha de Lula em 2022, convocou apoiadores a questionar a atuação de Mendonça no caso e a defender a independência das instituições. O texto dizia que faltavam 25 dias para as eleições.
Pressão política
Conselheiros de Lula atribuem a Mendonça responsabilidade pelo momento desfavorável do presidente nas pesquisas de intenção de voto. Eles também relacionam o entorno do ministro a vazamentos da investigação da Polícia Federal sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A avaliação teria se agravado após a retirada do sigilo de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Para esse grupo, a associação entre Moraes e Lula pode influenciar parte do eleitorado. Os conselheiros também mencionam a atuação do ministro no julgamento da tentativa de golpe de Estado, processo que levou, entre outros, o ex-presidente Jair Bolsonaro à prisão.
Valadares acusou Mendonça de barrar investigações sobre Flávio Bolsonaro, agir de forma parcial nas apurações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e impedir a divulgação de informações sobre o escândalo Dark Horse. O secretário afirmou que a condução do caso poderia influenciar a eleição e proteger o candidato bolsonarista à Presidência.
Conversas entre Moraes e Vorcaro também integram o contexto da disputa. Foram registradas 51 mensagens trocadas ao longo de 21 dias, nas quais o banqueiro pedia auxílio e orientações ao ministro sobre as investigações do Master. As apurações ainda mencionaram conversas intermediadas por um advogado com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (7) mostrou Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 41% no segundo turno. O mesmo patamar havia aparecido em março.







