A crise no Supremo Tribunal Federal envolve cinco ministros que chegaram à Corte após passagens por governos e cargos no Executivo. Dias Toffoli, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino passaram a protagonizar disputas que, segundo a avaliação apresentada no caso, reproduzem práticas de confronto comuns ao Executivo e ao Legislativo.
Toffoli deixou a relatoria do caso envolvendo o Master após a divulgação de suas relações com o banco e de um vínculo com o cunhado de Daniel Vorcaro no resort Tayayá. Ele também foi acusado de adotar decisões que dificultariam as investigações. Mendonça assumiu o caso e aprofundou a apuração sobre as relações de Vorcaro com Moraes.
O ministro Alexandre de Moraes está sob questionamento por causa do contrato de advocacia de sua mulher, no valor de R$ 131 milhões, que ele próprio editou, além de mensagens trocadas com o banqueiro. Em reação a Mendonça, Moraes usou relatórios classificados como sem valor probatório para pedir uma investigação contra o colega e acusá-lo, entre outros pontos, de abuso de autoridade.
Mendonça respondeu ao afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. O caso foi levado à Segunda Turma, onde Mendonça tem maioria, mas o julgamento não foi formalmente concluído depois que Gilmar Mendes pediu vista aos 11 segundos. Flávio Dino posteriormente devolveu Andrei ao cargo, citando prejuízos às investigações do caso Dark Horse. Dino e Gilmar sustentaram que a questão deveria ser analisada pelo Plenário e pelo presidente do Supremo.
A avaliação é que a crise foi ampliada pela maneira como os ministros passaram a lidar com as suspeitas relacionadas ao Master. Edson Fachin demorou a decidir enquanto os conflitos se intensificavam, mas começou a intervir com decisões que derrubaram liminares de Mendonça e Dino, retiraram o inquérito das fake news das mãos de Moraes e marcaram, no Plenário, o julgamento sobre a investigação contra o ministro.
O episódio também reacendeu a discussão sobre os critérios de nomeação para o Supremo. A proposta apresentada é criar algum mecanismo que reduza a passagem direta da disputa política para a Corte. A avaliação é que o aumento da influência política tende a elevar os conflitos internos e enfraquecer a instituição.







