BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) analise em conjunto as acusações relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. A Corte está dividida sobre a união dos casos, proposta pelo decano Gilmar Mendes em uma questão de ordem.
Moraes é alvo de questionamentos por manter contratos com o banqueiro Daniel Vorcaro, que contratou o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, por mais de R$ 130 milhões. Mendonça é acusado de ordenar uma investigação direcionada contra o colega por interesse eleitoral.
A manifestação foi feita em entrevista à rádio Itatiaia nesta quinta-feira, 17. Lula afirmou que os processos deveriam ser julgados no mesmo dia para evitar que uma decisão ocorresse antes das eleições e outra depois. “Todo mundo já tem material, é só tornar público”, declarou.
O presidente também citou Fux e Kassio Nunes Marques, embora não haja pedido de investigação contra os dois ministros. Os nomes deles apareceram em conversas com Daniel Vorcaro.
A defesa da análise conjunta coincide com a posição apresentada por Flávio Dino em sessão do STF na terça-feira, 15. Dino pediu a suspensão do julgamento sobre a abertura de investigação contra Moraes, sob o argumento de que as acusações contra Mendonça deveriam ser examinadas no mesmo processo. No fim da sessão, marcada por trocas de insultos e acusações entre ministros, Dino pediu vista.
Lula disse acreditar que Dino devolverá o processo para julgamento no momento adequado. Também afirmou que Mendonça usou o cargo de relator para fazer política e que teria divulgado apenas informações de seu interesse.
Ao comentar as acusações contra Moraes, Lula declarou que o ministro deverá responder caso tenha cometido irregularidades no contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Ao mesmo tempo, afirmou que a oposição da família Bolsonaro ao ministro está ligada à prisão de integrantes da família e à atuação de Moraes durante as eleições de 2022 e no julgamento da tentativa de golpe de Estado.
Lula disse ainda que a crise no STF não é o único fator capaz de alterar os rumos da eleição presidencial. O presidente voltou a defender uma reforma do Judiciário, com mandato para ministros do Supremo, e afirmou que a Corte deve servir à sociedade e preservar a confiança da opinião pública.







