São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Lula apoiou recusa de exigências dos EUA em negociação sobre tarifas

Proposta americana reunia 21 demandas, incluindo participação eleitoral de dissidentes, minerais críticos e compra de aviões da Boeing.

Lula apoiou recusa de exigências dos EUA em negociação sobre tarifas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiou a decisão do ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, de rejeitar a proposta inicial dos Estados Unidos para negociar o tarifaço. O documento reunia 21 exigências, entre elas medidas sobre as eleições presidenciais de 2026, a venda de minerais críticos e terras raras e a compra de aviões da Boeing por companhias aéreas brasileiras.

Vieira tomou conhecimento da proposta na manhã de 16 de outubro de 2025 e considerou o conteúdo inaceitável. O ministro determinou que a minuta não fosse apresentada para discussão com o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A orientação foi transmitida durante uma reunião de coordenação com assessores brasileiros na residência oficial da embaixada brasileira em Washington.

Reuniões em Washington

O chanceler se reuniu individualmente com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, por cerca de 20 minutos. Depois, participou de uma conversa ampliada, com duração aproximada de 40 minutos, com Jamieson Greer, chefe do USTR. Os encontros ocorreram no Edifício Eisenhower, anexo à Casa Branca.

Nas reuniões, também participou Michael Jensen, do Conselho de Segurança Nacional e assessor de Donald Trump para a América Latina. Pelo Brasil, estavam a embaixadora Maria Luiza Viotti, quatro assessores do gabinete e dois secretários do Itamaraty, além dos embaixadores Mauricio Lyrio e Philip Fox Gough e dos assessores Joel Sampaio, Fernando Cavalcanti e Caio Noronha.

A proposta não foi discutida item por item. Segundo integrantes da missão brasileira, o país apresentou apenas uma indicação geral de sua posição. O documento seria respondido em 4 de novembro de 2025, sem que as demandas americanas fossem consideradas como base das tratativas.

Relato a Lula e novas negociações

Na noite de 16 de outubro de 2025, Vieira telefonou para Lula antes de retornar a Brasília. No dia seguinte, 17 de outubro de 2025, o ministro visitou o presidente no Palácio da Alvorada e relatou novamente a missão.

Lula tomou conhecimento da existência da proposta por meio do chanceler e concordou com a decisão de impedir sua discussão. O presidente avaliou que a posição estava alinhada à defesa da soberania brasileira, enquanto outros temas poderiam continuar em negociação.

Das 21 exigências, quatro tinham caráter político-institucional ligado à política doméstica americana e seis eram direcionadas à China. Entre os pontos estavam a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026, a preferência americana no acesso a minerais críticos e terras raras e o compromisso de compra de aeronaves da Boeing.

Ao menos 10 itens voltaram a ser apresentados por negociadores americanos em outras ocasiões. Entre eles estavam privilégios sobre minerais críticos do subsolo brasileiro e a retirada da tarifa sobre o etanol. Uma nova proposta chegou em 9 de janeiro de 2026, mas as conversas não avançaram. O governo brasileiro admitiu discutir parte dos pontos e tentou vincular o etanol a uma contrapartida no açúcar.

O ministro Mauro Vieira afirmou posteriormente que os Estados Unidos buscaram a capitulação do Brasil. Segundo ele, o governo não aceitou pretensões e demandas apresentadas durante as negociações. O novo tarifaço, de até 37,5%, havia sido decretado por Trump em julho.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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