A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 28, mostra Luiz Inácio Lula da Silva com 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 34%. Os dois concentram a maior parte das preferências, enquanto os candidatos da chamada terceira via aparecem com percentuais menores: Augusto Cury e Ronaldo Caiado têm 4% cada, Renan Santos registra 3% e Romeu Zema, 1%.
O resultado ocorre a menos de uma semana das eleições presidenciais e em um ambiente no qual aliados de Flávio Bolsonaro pressionam os demais nomes da direita pelo voto útil. A lógica é que o eleitor escolha um candidato com maior capacidade de enfrentar aquele que considera o pior adversário, em vez de manter a preferência por uma candidatura fora da polarização.
Direita fragmentada e sem alternativa
Para Leandro Consentino, professor do Insper e cientista político, a decisão de voto nos líderes já está cristalizada. A quantidade de candidatos ligados à direita também teria contribuído para distribuir as preferências entre Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema.
Consentino avalia, porém, que a dificuldade não se resume à fragmentação. “Há uma incapacidade dos demais postulantes de formular qualquer discurso alternativo”, afirmou. Na avaliação dele, uma candidatura de direita que não fosse bolsonarista nem radical poderia ter obtido mais espaço.
Vinicius Lima, também cientista político, diz que Jair Bolsonaro continua forte no imaginário do eleitorado. Para ele, a candidatura de Flávio, apresentada como representação do pai, dificulta a formação de uma alternativa competitiva de direita que não esteja vinculada ao bolsonarismo.
Esquerda concentrada em Lula
Na esquerda, Consentino vê um cenário diferente. Lula reúne os principais partidos, enquanto apenas legendas menores lançaram outros candidatos. Entre os cinco nomes do campo — Lula, Samara Martins, Rui Costa Pimenta, Edmilson Costa e Hertz Dias — somente o candidato do PT superou 1% nas pesquisas.
O professor afirma que Lula esvaziou candidaturas que poderiam disputar espaço ao seu redor, ao manter o PSB próximo e neutralizar a Rede com Marina Silva em seu bloco. Para ele, os demais nomes da esquerda permanecem restritos a candidaturas de menor expressão.
A pesquisa Quaest indica um quadro semelhante ao de 2022 na mesma fase da disputa. Naquele momento, o segundo colocado tinha vantagem de 27 pontos porcentuais sobre o terceiro.
Efeito sobre a eleição seguinte
A disputa de 2026 também pode influenciar as lideranças com espaço na política brasileira nos anos seguintes. Tarcísio de Freitas e Renan Santos são citados como nomes para a disputa de 2030. Eduardo Paes e João Campos também aparecem entre as lideranças mencionadas, dependendo do desempenho na corrida deste ano.
Para Consentino, 2026 pode marcar a transição para uma configuração diferente em 2030. Lula não estaria novamente na cédula, independentemente de vencer ou perder, segundo a avaliação do professor. No bolsonarismo, uma derrota de Flávio poderia encerrar um ciclo e retirar do grupo o monopólio da direita.







