Augusto Cury (Avante) alcançou 11% das intenções de voto na pesquisa BTG/Nexus e se tornou o terceiro colocado na corrida presidencial de 2026, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O escritor também avançou no levantamento AtlasIntel, de 1,6% para 7,8%. Os dois resultados foram divulgados nessa segunda-feira (31/8).
Na pesquisa BTG/Nexus, Cury subiu 9 pontos, de 2% para 11%. No levantamento AtlasIntel, o crescimento foi de 6,2 pontos. Com o desempenho, ele se tornou o primeiro candidato fora do eixo Lula-Flávio a atingir dois dígitos em uma pesquisa para o Palácio do Planalto em 2026.
Exposição e disputa pelo eleitorado
Marcelo Tokarski, CEO do Nexus, relacionou o avanço à repercussão da participação de Cury no Jornal Nacional, no sábado (29/8). Segundo ele, o candidato ganhou visibilidade nas redes sociais e nas buscas do Google, alcançando eleitores que ainda não haviam escolhido um nome.
“Ele bombou nas redes, isso se refletiu nas buscas do Google”, afirmou Tokarski. O movimento teria atraído principalmente eleitores inclinados a votar em Flávio Bolsonaro, mas também parcelas dos eleitorados de Lula e do ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo).
Tokarski afirmou que ainda não é possível tratar o resultado como uma tendência consolidada. Para ele, Cury pode continuar crescendo, permanecer no atual nível ou recuar após o aumento de exposição.
Yuri Sanches, diretor de análise política da AtlasIntel, avaliou que o desempenho não decorre apenas da maior presença pública. Cury teria ocupado um espaço ainda não preenchido por candidatos que buscam se apresentar como alternativa à polarização. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema concentraram seus discursos no eleitorado de direita, enquanto Cury também procurou dialogar com eleitores de Lula.
A AtlasIntel registrou avanço de Cury entre eleitores dos dois principais polos, com maior força entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro em 2022: quase 10% desse grupo, ante cerca de 4% entre os eleitores de Lula no segundo turno. O candidato também cresceu entre mulheres, eleitores de menor renda, no Nordeste, no Centro-Oeste e no Norte, além da direita não bolsonarista.
Sanches estimou que Cury poderia se consolidar entre 4% e 5% das intenções de voto, mas condicionou esse patamar à capacidade de resistir aos ataques de adversários. Para o analista, o desempenho indica uma demanda, ainda pequena, por uma candidatura crítica no primeiro turno.
Estratégia da campanha
A assessoria de Cury atribuiu o crescimento ao aumento da exposição durante a campanha e à circulação de vídeos de entrevistas, debates, propostas e agendas nas redes sociais. O candidato concentra seu discurso em educação, saúde mental, tecnologia, empreendedorismo, segurança pública e redução da polarização.
A expansão digital também passou a ser acompanhada por campanhas adversárias. Rivais estudam acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar o engajamento do escritor, diante do crescimento de mais de 2 milhões de seguidores no Instagram após o debate da Band. A suspeita apresentada pelos adversários é de que o aumento não teria ocorrido de forma orgânica.







