São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Dino torna pública investigação sobre emendas, contratos e Mário Frias

Decisão reúne apurações sobre suposto desvio de recursos e cita possível vínculo entre investigados e o PCC.

Dark Horse: Dino levanta sigilo de investigação que cita Mário Frias, aponta indícios de irregularidades e menciona possível elo com PCC

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo e reuniu sob sua relatoria investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos. O caso envolve emendas parlamentares federais, contratos relacionados à Prefeitura de São Paulo e pessoas ligadas ao deputado federal Mário Frias (PL-SP).

A decisão foi divulgada neste domingo (13). Nela, Dino aponta indícios de conexão entre os inquéritos e registra uma hipótese investigativa de organização criminosa voltada à captação, circulação e ocultação de recursos públicos. Os autos também mencionam uma linha de investigação sobre possíveis vínculos do grupo com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Na quinta-feira (10), Frias afirmou que a operação da Polícia Federal, que fez buscas em sua residência, era uma “cortina de fumaça”. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado negou irregularidades, disse que colaboraria com as apurações e entregaria os documentos necessários. Também declarou acreditar no arquivamento do caso.

Fluxo de recursos

Segundo a representação da Polícia Federal reproduzida no despacho, a Complexsys Soluções Integradas Ltda., empresa de tecnologia contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), recebeu transferências de Frias e repassou recursos ao próprio instituto. O ICB é presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama e recebeu valores provenientes de emendas parlamentares.

A empresa também transferiu recursos à Academia Nacional de Cultura (ANC), organização sem fins lucrativos igualmente presidida por Karina Gama. Para os investigadores, a movimentação entre Frias, a Complexsys, o ICB e a ANC sugere um fluxo coordenado de recursos entre integrantes de um mesmo núcleo. A PF descreveu a dinâmica como um “circuito financeiro fechado”.

A investigação ainda aponta possível confusão patrimonial entre o ICB, empresas contratadas e pessoas relacionadas ao grupo. Entre os elementos citados estão vínculos societários cruzados, proximidade entre sócios e administradores, faturamento declarado considerado incompatível com os valores movimentados e devoluções sucessivas de recursos sem justificativa econômica aparente.

Hipótese de organização criminosa

A PF também analisou transferências feitas por Frias à Go Up Entertainment, empresa ligada a Karina Ferreira da Gama. De acordo com os investigadores, os valores seriam incompatíveis com a renda declarada pelo deputado e com os créditos identificados nas contas examinadas.

Essa circunstância, segundo a representação, afasta a hipótese de que Frias tenha sido apenas autor de emendas posteriormente desviadas por terceiros. Os investigadores avaliam que as movimentações podem indicar participação ativa do deputado na engrenagem financeira sob apuração.

O documento também cita relações patrimoniais entre Frias e pessoas ou empresas integrantes do mesmo núcleo identificado em outras frentes. Para a PF, os elementos reforçam a hipótese de atuação articulada, embora os fatos ainda estejam sob investigação.

A apuração sustenta que as frentes relacionadas ao desvio de emendas e às movimentações de pessoas e empresas ligadas ao grupo não constituiriam esquemas separados. Parte dos valores teria sido repassada ao ICB em razão de contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo, investigado pela polícia judiciária estadual.

Ao analisar os documentos remetidos pela Justiça de São Paulo, Dino afirmou que o material reforça a hipótese de um esquema envolvendo a destinação e o desvio de recursos públicos. O ministro também registrou que a investigação menciona possíveis vínculos da suposta organização criminosa com o PCC, tratando o ponto como uma linha investigativa presente nos autos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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