BRASÍLIA — O pedido de Andrei Rodrigues para retomar o cargo de diretor-geral da Polícia Federal foi apresentado sem fazer parte da estratégia jurídica definida pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva para responder a uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula discutiu o encaminhamento do caso com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César, e com o advogado-geral da União, Jorge Messias, em reuniões realizadas na terça-feira, 8. O presidente avaliou que a decisão de Mendonça representava uma invasão de prerrogativa.
A orientação estabelecida foi que a Advocacia-Geral da União protocolaria um pedido de suspensão de liminar, instrumento utilizado para tentar interromper uma decisão individual de um juiz. A solicitação foi apresentada no fim da tarde de terça-feira.
Após uma conversa com Lula no Palácio da Alvorada, Wellington César e Jorge Messias se reuniram com Edson Fachin, presidente do STF. Com o recebimento do pedido da AGU, Fachin abriu prazo de 72 horas para que Mendonça se manifestasse, procedimento considerado usual no Judiciário.
Pedido separado
Andrei não se reuniu com Lula ao longo do dia, embora os dois tenham conversado por telefone. A estratégia jurídica do governo foi discutida com os ministros da Justiça e da AGU, enquanto o diretor da PF conduziu separadamente a iniciativa para retornar ao cargo.
A decisão de Flávio Dino, publicada na manhã desta quarta-feira, 9, atendeu ao pedido de Andrei. Integrantes do governo passaram a classificar a solicitação do diretor como uma questão pessoal, em contraste com o recurso da AGU, tratado como institucional.
A crise também preocupou a equipe de campanha de Lula pelos possíveis impactos na disputa eleitoral. Após se reunir com o presidente, Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha, divulgou um vídeo sobre a tensão em Brasília. Ele afirmou que a crise institucional era “inegável” e defendeu a apuração de todas as denúncias relacionadas ao STF, com aceleração e lisura.
Edinho não citou Mendonça nem tomou posição explícita por uma das alas do Supremo. A estratégia, combinada com Lula, foi buscar uma solução para o conflito sem aderir claramente a nenhum dos lados.







