São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Câmara de Coari empossa nova prefeita após saída temporária do vice

Jeany Pinheiro assumiu o Executivo municipal depois do afastamento de Adail Pinheiro e da saída de Emanoel Pinheiro.

Câmara de Coari empossa nova prefeita após saída temporária do vice
Foto: Divulgação

A Câmara Municipal de Coari empossou Jeany Pinheiro como prefeita temporária após o afastamento de Adail Pinheiro e a saída do vice-prefeito Emanoel Pinheiro. A mudança ocorreu em sessão extraordinária realizada na noite desta quinta-feira (17), quando também foram lidos o comunicado do vice e a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Presidente da Câmara, Jeany ocupava a segunda posição na linha sucessória. Emanoel, que é sobrinho dela e filho de Adail, informou que deixaria temporariamente as funções no Executivo para fins de desincompatibilização e candidatura ao cargo de deputado estadual. Ele declarou que pretende retornar ao cargo no dia 5 de outubro, depois do primeiro turno das eleições.

Com a posse de Jeany, o vereador Orleilson de Oliveira Lima, 1º vice-presidente da Câmara, passou a comandar o Legislativo municipal. A Casa também empossou o vereador Mário Jorge Lima dos Santos.

A ata da sessão registra que Jeany exercerá temporariamente as atribuições do Executivo enquanto durar o impedimento do prefeito e do vice-prefeito ou até que haja determinação legal ou judicial diferente.

Investigação da Polícia Federal

Adail Pinheiro foi afastado no âmbito de um inquérito que tramita em segredo de justiça. Ele e o filho, o deputado federal Adail Filho (MDB), são suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro.

Por determinação de Moraes, a Polícia Federal cumpriu, na quarta-feira (16), 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari. A operação, chamada Dinastia do Lago, apura a possível atuação de uma organização criminosa em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro ligados à administração municipal.

A investigação começou depois da apreensão de cerca de R$ 1,25 milhão em espécie, transportados pelos empresários Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho em um voo entre Manaus e Brasília, em maio de 2025.

Ao determinar a abertura do inquérito, em abril deste ano, Moraes afirmou que a Polícia Federal havia identificado repasses financeiros de empresas do trio para Adail Filho e Adail Pinheiro. Segundo o ministro, essas empresas tinham contratos com o Município de Coari e “teriam sido utilizadas como meio para a prática de fraudes em procedimentos licitatórios”. Moraes também citou o envio de “vultosos recursos públicos” ao município por meio de emendas parlamentares nos anos de 2024 e 2025.

Histórico político

Adail Pinheiro foi eleito prefeito pela primeira vez em 2000 e reeleito em 2004. Em 2012, voltou ao cargo, mas acabou afastado após condenação por crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes.

Adail Filho venceu a eleição municipal em 2016 e foi reeleito em 2020. O mandato foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) por inelegibilidade reflexa, sob o entendimento de que configuraria um terceiro período consecutivo do mesmo grupo familiar no comando da prefeitura.

Em setembro de 2019, Adail Filho foi preso na Operação Patrinus, do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), por suspeita de envolvimento no desvio de R$ 100 milhões. Ele foi solto em outubro por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em 2021, após a cassação e a convocação de novas eleições, a prefeitura passou a ser comandada pela vereadora Dulce Menezes, então presidente da Câmara.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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