MANAUS — A defesa do prefeito de Coari, Adail Pinheiro, pretende contestar com urgência a decisão que o retirou do cargo por 90 dias. O afastamento foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de um inquérito que também envolve o deputado federal Adail Filho (MDB), filho do prefeito.
O advogado Fabrício Parente afirmou que a permanência de Adail Pinheiro na prefeitura não comprometeria as apurações. “Por entendermos não existir qualquer prejuízo para as investigações a manutenção do prefeito no seu cargo, cremos se tratar de medida desnecessária”, disse.
A decisão de Moraes foi tomada na segunda-feira (14). O inquérito tramita sob segredo de justiça e apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Na quarta-feira (16), a Polícia Federal cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, por determinação do ministro. A ação recebeu o nome de Operação Dinastia do Lago.
Segundo a PF, a investigação examina a possível atuação de uma organização criminosa em fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro ligados à administração municipal de Coari.
Origem da investigação
As apurações começaram depois que foram encontrados cerca de R$ 1,25 milhão em dinheiro com os empresários amazonenses Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho. O valor estava sendo levado em um voo entre Manaus e Brasília, em maio de 2025.
Ao autorizar a abertura do inquérito, em abril deste ano, Moraes afirmou que a PF havia identificado transferências de empresas dos três empresários para Adail Filho e Adail Pinheiro. O ministro também registrou que essas empresas tinham contratos com o Município de Coari e poderiam ter sido usadas em irregularidades de licitação.
A decisão ainda mencionou recursos públicos destinados ao município nos anos de 2024 e 2025 por meio de emendas parlamentares apresentadas por Adail Filho.
A defesa dos dois políticos informou que teve acesso à decisão, mas não comentaria o caso por causa do sigilo. Parente afirmou, porém, que “nada de ilícito foi praticado” e que os fatos serão esclarecidos durante a investigação.







