São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Dalide Corrêa recebeu R$ 33 milhões do Banco Master em 2024, mostram documentos

Advogada nega ter atuado para o banco no STF; registros da auditoria do BRB foram encontrados pela Polícia Federal.

Dalide Corrêa recebeu R$ 33 milhões do Banco Master em 2024, mostram documentos

Documentos de uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB), encontrados pela Polícia Federal (PF), registram que o escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões do Banco Master em 2024. Os pagamentos foram feitos pelo banco de Daniel Vorcaro, segundo os registros sobre a operação entre as instituições.

Os mesmos documentos mencionam R$ 40 milhões pagos em 2024 ao escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A assessoria de Dalide afirmou que ela “jamais atuou para o Master no STF nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”. Segundo a nota, o trabalho se limitou a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que depois foram sucedidas pelo banco nas ações. A atuação, acrescentou a assessoria, ocorreu apenas em órgãos de primeira e segunda instâncias.

Trajetória profissional

A advogada tem 67 anos, nasceu em Cansanção, no interior da Bahia, e se formou em Direito pelo Centro Universitário de Brasília. Também fez pós-graduação em Direito Tributário, Direito Constitucional e Direito Processual Civil pelo Instituto Brasileiro de Direito Processual.

No fim dos anos 1990 e no início dos anos 2000, Dalide foi diretora jurídica da Caixa Econômica Federal. Depois, ocupou os cargos de assessora jurídica da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, procuradora-geral da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e chefe de assessoria parlamentar no STF.

Em 2010, abriu, em Brasília, o escritório Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia, onde atua como advogada-sócia administradora. Também em 2010, assumiu a direção-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), função que exerceu por sete anos.

O IDP foi fundado pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. Os dois se conheceram quando Mendes era advogado-geral da União no governo de Fernando Henrique Cardoso e Dalide trabalhava na Caixa. Eles se afastaram em 2017, após desentendimentos sobre a gestão da instituição.

A assessoria de Mendes não se manifestou. A interlocutores, o ministro disse que se afastou de Dalide depois que ela deixou o IDP e que não mantém relação de proximidade com a advogada.

Em 2022, Dalide apareceu como suplente na chapa de João Campos, candidato do Republicanos ao Senado em Goiás, mas não foi eleita. Naquele ano, declarou R$ 88,5 milhões em bens, incluindo imóveis, terrenos, joias e outros itens.

Menções nos diálogos

A advogada foi citada em conversas de diretores do Banco Master obtidas pela PF. Ao tratar de despesas, o diretor financeiro Ângelo Ribeiro determinou ao superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Félix, que efetuasse o pagamento ao escritório. Ribeiro disse que se tratava de um “canal direto com o STF”, sem explicar o significado da expressão.

A PF ainda não realizou diligências sobre o contrato e não apresentou avaliação sobre a legalidade dos serviços. Os diálogos não mencionam Gilmar Mendes nem outro ministro do STF. Eles também não foram alvo de diligências ou medidas de investigação na Operação Compliance Zero.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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