São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Mensagens da PF indicam que grupo de Vorcaro viu saída de Toffoli como piora no caso Master

Conversas interceptadas mostram preocupação com a troca de relatoria no STF e com o avanço das investigações sobre a família Vorcaro.

Mensagens da PF indicam que grupo de Vorcaro viu saída de Toffoli como piora no caso Master

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que integrantes de “A Turma”, grupo apontado como contratado por Daniel Vorcaro para intimidar pessoas e obter informações sigilosas, consideraram negativa a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal.

A conversa ocorreu no WhatsApp em 27 de fevereiro deste ano entre Bruno Correa Lopes e Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo. Os dois são investigados pela Polícia Federal. Manolo encaminhou a Bruno um link sobre supostos desvios de Daniel e Henrique Vorcaro. Depois, os dois discutiram a situação dos negócios da família e a necessidade de acelerar documentos e negociações.

Ao comentar a troca de relatoria, Bruno escreveu: “Está piorando muito rápido agora que saiu do Toffoli”. A mudança havia ocorrido em 12 de fevereiro. Daniel Vorcaro foi preso novamente em 4 de março. O diálogo integra o material enviado pela PF ao STF, que teve o sigilo de várias peças envolvendo o Banco Master derrubado na sexta-feira (11).

Toffoli deixou o caso após revelações sobre ligações com Vorcaro no empreendimento do resort Tayayá. A Maridt, empresa de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, tinha participação no negócio.

Negócios e pressão sobre a família Vorcaro

Segundo a investigação, Bruno era responsável pela compra de imóveis e pela intermediação de negócios da família Vorcaro. Manolo e Bruno também atuavam na compra e venda de terrenos e discutiam o envio de documentos e a aceleração de negociações relacionadas a Henrique Vorcaro, pai do banqueiro.

Em um diálogo de dezembro de 2025, Bruno afirmou ter visto Henrique Vorcaro retirar dinheiro do filho em negociações de terrenos. Ele também disse que o banqueiro era fraco e que o pai impunha medo. O áudio foi encaminhado a Felipe Mourão, conhecido como Sicário, que se referiu a Bruno como doente e mentiroso.

No início de março, após novas prisões de Daniel Vorcaro e de Sicário, Bruno disse ter recebido uma “informação segura” de que Henrique seria o próximo. Henrique Vorcaro foi preso em 14 de maio. No mesmo mês, Manolo conversou com o empresário Daniel Leitão de Almeida e mencionou a morte de Sicário, que ocorreu na sede da PF no dia 6 de março.

Estrutura do grupo

A PF aponta que “A Turma” era formada por seis integrantes e recebia cerca de R$ 400 mil por mês. O grupo, segundo a investigação, buscava informações reservadas em sistemas oficiais, comprava servidores públicos e fazia intimidações.

As mensagens também indicam que os integrantes tinham férias de fim de ano. Em 13 de dezembro de 2023, Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado apontado como líder do grupo, pediu uma definição sobre demandas pendentes porque, devido ao fim do ano, os integrantes sairiam de férias e o serviço poderia ficar para a última hora.

O dinheiro destinado ao grupo saía de empresas ligadas ao grupo empresarial de Vorcaro e era repassado por meio de uma empresa de Mourão. Felipe Mourão morreu após ser detido pela Polícia Federal.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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