Os deputados federais entre os mais votados nas eleições de 2022 e que voltarão às urnas em 2026 registraram, em média, aumento de 1.581% nos bens declarados ao longo de quatro anos. O levantamento compara informações apresentadas pelos próprios candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio da plataforma DivulgaCandContas.
Nikolas Ferreira (PL), o deputado mais votado do país em 2022, declarou patrimônio de R$ 3,9 milhões para 2026. Em 2022, os bens informados somavam R$ 36.820,46. A alta foi de 10.491,94%. A declaração atual inclui um imóvel de R$ 2,2 milhões e aplicações financeiras. O parlamentar não se manifestou.
Ricardo Salles (Novo), que recebeu 640 mil votos para a Câmara em 2022 e agora concorre ao Senado, informou patrimônio de R$ 9,05 milhões, ante R$ 3,97 milhões declarados quatro anos antes. O aumento de 128% inclui um imóvel rural no interior de São Paulo, avaliado em R$ 2,9 milhões; uma propriedade rural em Portugal, de R$ 3 milhões; e uma casa na capital paulista, de R$ 3,15 milhões. Salles atribuiu a variação à atividade advocatícia e à incorporação de resultados de investimento imobiliário no exterior.
Kim Kataguiri (Missão) passou de R$ 325.896,01 em bens, em 2022, para R$ 1.109.702,79 em 2026, alta de 240%. A carteira inclui ações, fundos nacionais, criptomoedas e 25 gramas de ouro escritural no Banco do Brasil. O deputado disse que o crescimento decorreu da carteira de investimentos.
Celso Russomanno (Republicanos) declarou R$ 3,002 milhões, contra R$ 1,48 milhão anteriormente, uma elevação de 103%. A relação inclui participações em empresas de comunicação, propriedades imobiliárias fracionadas e veículos. Ele afirmou ter outras atividades além do mandato e usar o salário parlamentar para atendimento gratuito de defesa do consumidor.
Deltan Dallagnol (Novo) teve a menor variação: 1,37%. Seu patrimônio passou de R$ 2.719.569,42 para R$ 2.756.904,77. O ex-procurador concorre ao Senado após ter o mandato cassado com base na Lei da Ficha Limpa. A declaração mantém um apartamento de R$ 1,14 milhão e cerca de R$ 1 milhão em investimentos.
Tabata Amaral (PSB) registrou alta de 21%, de R$ 556.700,29 para R$ 674.534,74. A declaração atual inclui um imóvel financiado. A deputada disse que o aumento é compatível e comparou seu caso ao de candidatos que compram imóveis de R$ 6 milhões em dinheiro vivo, mencionando Flávio Bolsonaro.
O Delegado Bruno Lima (PP-SP) teve crescimento de 82,8%, de R$ 159.748,62 para R$ 292 mil. A maior parte dos bens está concentrada em previdência privada, de R$ 202 mil, e aplicações bancárias. Ele afirmou que a diferença é compatível com os rendimentos recebidos.
Dos dez deputados mais votados em 2022, Guilherme Boulos, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro ficaram fora da comparação. Boulos abriu mão da reeleição para permanecer como ministro da Secretaria-Geral da Presidência; Zambelli cumpre condenações do Supremo Tribunal Federal referentes a 2022 e 2025; e Eduardo Bolsonaro está inelegível e nos Estados Unidos.
Os dados foram atualizados até 10 de setembro de 2026. A comparação considera valores nominais e o custo de aquisição dos bens declarados à Justiça Eleitoral, sem representar necessariamente o patrimônio líquido disponível.







