O Partido Novo elevou para 1.298 o número de candidatos nesta eleição, quase o triplo do registrado no pleito anterior, e reservou pelo menos R$ 70 milhões para as campanhas. A estratégia busca evitar a redução da bancada federal, que caiu de 8 para 3 deputados entre 2018 e 2022.
A direção nacional já transferiu R$ 58 milhões aos candidatos, considerando recursos públicos e privados. O presidente do partido, Eduardo Ribeiro, afirmou que a legenda pretende eleger entre 15 e 20 deputados federais. “A preço de hoje, ter entre 15 a 20 deputados é muito possível”, disse.
O Novo não superou a cláusula de barreira há quatro anos. Para obter acesso ao horário eleitoral gratuito e ao Fundo Partidário, os partidos precisam eleger 13 deputados federais ou alcançar 2,5% dos votos válidos para a Câmara, com pelo menos 1,5% em 9 Estados.
Esta será a primeira eleição geral em que o Novo usará recursos públicos. A mudança ocorreu em 2023, depois de ser aprovada por 85% dos filiados. Antes, a sigla defendia não utilizar o Fundo Partidário. O argumento para rever a posição foi que, se devolvido, o dinheiro seria distribuído a outras legendas, enquanto doações empresariais estavam proibidas e as individuais eram limitadas.
O partido gastou R$ 38 milhões em 2018 e R$ 63 milhões em 2022, quando dependia apenas de recursos privados. Agora, o orçamento considera R$ 70 milhões provenientes dos dois fundos públicos, além das doações captadas durante a campanha. O Fundo Eleitoral representa R$ 37 milhões. “Nós acumulamos um valor relativamente alto de Fundo Partidário e a gente vai usar quase todo esse recurso juntamente com o Fundo Eleitoral, de R$ 37 milhões”, afirmou Ribeiro.
Entre os repasses já feitos estão R$ 4,1 milhões para a campanha presidencial de Romeu Zema. Ricardo Salles recebeu R$ 2,8 milhões para disputar o Senado por São Paulo, enquanto Deltan Dallagnol recebeu R$ 1,9 milhão para a candidatura pelo Paraná. Gilson Marques teve R$ 2,3 milhões, e Adriana Ventura, R$ 1,7 milhão; os dois concorrem à reeleição para a Câmara.
Nomes priorizados
Em São Paulo, além de Adriana Ventura, o Novo aposta em Marina Helena, economista que concorreu à Prefeitura de São Paulo em 2024, e Pedro Pôncio, que se identifica como ex-integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Pôncio tem o apoio de Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais.
A legenda também lançou Cláudia do Batom, irmã de Débora Rodrigues dos Santos, condenada à prisão por pichar com batom a estátua da Justiça no 8 de Janeiro. Nikolas apoia ainda Guilherme Kilter, de Curitiba; Hiago Morandi, de Caxias do Sul; e Beatriz Borba, de Biguaçu. Os três são vereadores no Sul e disputam vagas na Câmara.
Entre os demais candidatos citados estão Jeffrey Chiquini, advogado que defende Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro; Felipe Camozzato, deputado estadual do Rio Grande do Sul; e Eduardo Moura, vereador de Recife.







