Romeu Zema comunicou a dirigentes do Partido Novo, nesta terça-feira, 29, que manterá sua candidatura ao Palácio do Planalto. A decisão foi tomada mesmo diante da possibilidade de um resultado fraco nas urnas e de pressões para que ele apoie Flávio Bolsonaro (PL).
Nas últimas 48 horas, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e integrantes do próprio Novo defenderam que Zema desistisse da disputa. O argumento era preservar o capital político do ex-governador e evitar uma derrota tanto em Minas Gerais quanto na eleição presidencial.
Apoio a Flávio Bolsonaro
Outro grupo do Novo, porém, convenceu Zema de que abandonar a candidatura neste momento poderia causar dano maior à sua imagem. A avaliação foi que ele poderia apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno para atuar contra a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas que seria diferente abrir mão da corrida ao Planalto para fortalecer o candidato do PL.
Integrantes do partido também apontaram questionamentos sobre a relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro. Zema resumiu uma diferença que atribui às legendas: “No Novo só tem ficha limpa, no PL, não”.
A candidatura do ex-governador está estagnada nas pesquisas eleitorais e nunca ganhou força entre os eleitores na disputa presidencial. Em levantamentos recentes, ficou com menos de 1% das intenções de voto. O avanço do voto útil em torno de Flávio Bolsonaro reduziu ainda mais o espaço do candidato do Novo.
A preocupação interna aumentou porque Mateus Simões (Novo), sucessor de Zema e candidato ao governo de Minas Gerais, não apresenta bom desempenho nas pesquisas. Uma ala do partido avaliava que a permanência em uma candidatura sem tração poderia prejudicar o prestígio e o patrimônio político do ex-governador.
Zema venceu duas eleições para o governo de Minas Gerais: em 2018, no segundo turno, e em 2022, no primeiro turno, quando obteve 56,18% dos votos válidos. Durante sua gestão, chegou a registrar aprovação superior a 63% no estado.







