BRASÍLIA — Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli não participarão da votação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. A sessão ocorre nesta terça-feira, 15, com base em um relatório da Polícia Federal (PF) sobre mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro.
Os diálogos mostram Vorcaro perguntando a Moraes se deveria deixar o País na antevéspera de sua prisão. O banqueiro também teria pedido a intervenção do ministro junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Após a leitura do relatório pelo presidente do STF, Edson Fachin, Nunes Marques pediu a palavra. Ele se manifestou sobre a citação de seu filho, Kevin, em mensagens trocadas entre Vorcaro e Luiz Rennó, diretor jurídico do Master, em julho de 2025.
Mensagens recuperadas pela PF mencionam um pagamento de R$ 500 mil ao filho do ministro, que é advogado. Nunes Marques e familiares também haviam viajado em uma aeronave pertencente à empresa da qual Vorcaro era sócio. O ministro afirmou: “Eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master.”
Apesar disso, Nunes Marques declarou impedimento por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para ele, a decisão pode ter impacto político e eleitoral. O ministro já havia votado, na Segunda Turma, pela legalidade do relatório da PF usado na sessão desta terça-feira, 15. O julgamento foi interrompido depois que Gilmar Mendes pediu vista.
Toffoli também não votará. Ele foi relator da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes de R$ 12 bilhões atribuídas ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O ministro deixou o caso após a divulgação de que um fundo tinha Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, como beneficiário final de um fundo detentor de cotas do Resort Tayaya, empreendimento que pertenceu a familiares de Toffoli.
No plenário, Toffoli afirmou não haver impedimento formal, mas declarou suspeição por motivo de foro íntimo. A saída da relatoria havia sido decidida em reunião informal convocada por Fachin. Toffoli disse ter sido orientado por Dino, embora a maior parte dos ministros tivesse avaliado não existir suspeição. Segundo ele, a declaração buscou evitar constrangimentos à Corte.







