Carlos Andreazza avaliou a defesa apresentada por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), no caso das mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Moraes nega ser o interlocutor identificado pela Polícia Federal (PF) e afirma que o relatório produzido durante a investigação é ilegal e deve ser anulado.
Para Andreazza, a manifestação adota como premissa que Moraes já estivesse submetido a um julgamento criminal, no qual precisaria ser responsabilizado apenas com base em provas definitivas. Na avaliação do colunista, a questão anterior é saber se os elementos reunidos até agora são suficientes para justificar a abertura de uma investigação contra o ministro.
“É a estratégia de se defender como se fosse julgado”, afirmou Andreazza. Segundo ele, uma apuração poderia esclarecer se Moraes era o interlocutor de Vorcaro apontado pela PF e, em caso positivo, qual foi o conteúdo das conversas entre os dois.
Moraes também sustenta que não existem indícios de que tivesse conhecimento antecipado de decisões judiciais, atuado em favor de Vorcaro ou compartilhado informações sigilosas. Andreazza considera que essas questões estão entre os pontos que precisariam ser esclarecidos pela investigação.
O colunista contestou ainda a alegação de quebra da cadeia de custódia e de possível interferência de um órgão estrangeiro na produção das informações utilizadas contra Moraes. Ele também afirmou que o ministro recorre à ideia de um “8 de Janeiro permanente” ao associar o episódio a uma suposta vingança por sua atuação nos processos sobre a tentativa de golpe de Estado.
A conclusão de Andreazza é que o STF deve decidir primeiro se os indícios existentes justificam a investigação. Somente depois, segundo essa avaliação, caberia discutir eventual culpa ou inocência.







