Alexandre de Moraes afirmou que as suspeitas sobre sua relação com Daniel Vorcaro fazem parte de uma “farsa montada” e de uma vingança de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação foi apresentada em uma petição de 44 páginas entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
A defesa ocorreu após 15 dias de silêncio e poucas horas antes do julgamento que decidirá, às 10h, se a investigação contra o ministro será aberta ou arquivada. Moraes sustenta que o procedimento não apresentou indícios de infração penal e questiona a legalidade da apuração conduzida pela Polícia Federal sob relatoria de André Mendonça.
Questionamentos ao relatório
O ministro não tratou diretamente do conteúdo das 51 mensagens trocadas com Vorcaro, dono do Banco Master, que revelaram a proximidade entre os dois. A defesa se concentrou na validade do relatório e classificou seu direcionamento como enviesado.
Moraes afirma que o documento seria “duplamente nulo”. O primeiro motivo seria a determinação judicial que considera incompetente e ilegal, entendimento que, segundo ele, também teria sido apontado em parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O segundo estaria no conteúdo, que descreveu como baseado em ilações sem comprovação, com desvio de finalidade e uso de fragmentos.
Entre os pontos relacionados à atuação do ministro estão pedidos de Vorcaro para que ele interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e a Paulo Gonet, com o objetivo de conter investigações sobre negócios fraudulentos do Master. Também foram citados um contrato de R$ 131 milhões entre Viviane Moraes e Vorcaro, conversas sobre uma possível saída do banqueiro do País antes da prisão, cobranças ao escritório Barci de Moraes e cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
Vorcaro questionou Moraes sobre uma eventual saída do País um dia antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025. O ministro negou ter tido conhecimento prévio da decisão da Justiça Federal que determinou a Operação Compliance, ter procurado autoridades sobre o caso ou ter vazado informações.







