BRASÍLIA — Ministros do Supremo Tribunal Federal contrários à abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes atuaram para impedir o exame de indícios relacionados à relação do ministro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Flávio Dino e Gilmar Mendes participaram das articulações, que envolveram manifestações públicas, contatos reservados e medidas processuais.
Relatório da Polícia Federal, produzido a pedido de André Mendonça, reúne mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. Em uma delas, o banqueiro pergunta se deveria deixar o país antes de ser preso e solicita que o ministro interceda junto ao diretor-geral da PF e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O documento também registra que Moraes editou um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Pressão antes da sessão
Nos dias anteriores à sessão, Gilmar enviou mensagens a Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Em 8 de setembro, criticou Fux por ter votado, na Segunda Turma, a favor da liminar de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal. Fux encerrou a conversa dizendo: “Cuide de não encher meu saco!”.
A Nunes Marques, Gilmar atribuiu postura submissa a Mendonça e pediu que o colega deixasse processos relacionados ao Master e a presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Nunes Marques pediu respeito, afirmou que estava disposto a abrir suas contas e bloqueou o ministro.
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mencionam pagamento de R$ 500 mil a Kevin Marques, filho de Nunes Marques. O ministro declarou-se impedido de participar da decisão sobre a abertura de investigação contra Moraes e justificou o afastamento pelas possíveis repercussões eleitorais enquanto preside o TSE.
O material também cita Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, a quem Vorcaro teria pedido ajuda em processos. As mensagens indicam ainda o pagamento de ingressos para a família do advogado em um camarote VIP na Sapucaí, durante o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, em fevereiro de 2025.
A questão de ordem
No início da sessão de 15, Dino propôs que a abertura de investigações contra Moraes e Mendonça fosse analisada em uma única deliberação. A iniciativa concentrou o debate e impediu a discussão sobre o mérito dos indícios reunidos pela PF.
Gilmar aderiu à proposta, que buscou colocar no mesmo plano as evidências relativas a Moraes e as acusações de parcialidade contra Mendonça na condução das investigações.
Durante a sessão, Gilmar chamou Mendonça de “boneco eleitoral” e criticou a liminar que afastou Andrei Rodrigues da PF. Dino também questionou Fux por ser citado em diálogos de Vorcaro. Fux negou ter trocado mensagens com o banqueiro e afirmou nunca tê-lo conhecido. Dino disse que o ministro teria de esclarecer o assunto em momento próprio.







