Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam à reta final da eleição concentrados em estratégias diferentes. Enquanto o petista prioriza levar sua base às urnas, o senador tenta ampliar a votação com o chamado voto útil entre eleitores de outras candidaturas de direita e centro-direita.
A disputa ocorre em um cenário de vantagem estreita. No Datafolha divulgado nesta quinta-feira, 24, Lula aparece com 47% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno, contra 45% de Flávio. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Mobilização da base de Lula
Aliados de Lula planejam intensificar atos de rua, viagens pelo País e o recrutamento de voluntários. A campanha também ampliou o uso de artistas e influenciadores nas redes sociais, com o objetivo de alcançar eleitores mais jovens. Na quarta-feira, 23, o presidente participou de um ato no Rio de Janeiro com nomes da música, do cinema e da televisão.
A estratégia dá atenção especial a eleitores de menor renda, idosos e mulheres. Entre os mais velhos, o foco inclui pessoas com mais de 70 anos, grupo para o qual o voto é facultativo. Mães, beneficiárias do Bolsa Família e chefes de família também estão entre os públicos priorizados.
O entorno de Lula associa o reajuste do benefício e a ofensiva contra as bets a temas capazes de dialogar com famílias preocupadas com renda e endividamento. A campanha acompanha até a previsão do tempo para o domingo da eleição, 4 de outubro, diante da possibilidade de chuva reduzir o comparecimento.
O cientista político Antonio Lavareda afirma que a abstenção tende a afetar com mais intensidade eleitores de menor renda e escolaridade. “Esse fator pode ser decisivo”, disse. A senadora Teresa Leitão (PT-PE) afirmou que as agendas de rua e as ações de mobilização ganharam ritmo.
O PT também pretende associar Flávio a episódios que considera capazes de elevar sua rejeição. Entre os temas que a campanha pretende levar aos eleitores estão os contatos do senador com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e a apuração sobre recursos negociados para a produção do filme Dark Horse.
A estratégia de Flávio
Flávio busca atrair eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Aliados do senador procuraram interlocutores ligados a Cury, Caiado e Zema para discutir uma possível concentração de forças em torno do candidato do PL. Renan Santos disse ter sido procurado, mas recusou a aproximação.
O publicitário Eduardo Fischer, que comandou a comunicação de Flávio entre maio e julho, avalia que o senador ainda pode crescer com a transferência de votos da direita e da centro-direita. “O voto já está ganho”, afirmou Fischer.
A campanha também recorre a aliados com capacidade de comunicação em diferentes segmentos. Nikolas Ferreira (PL-MG) atua em Minas Gerais, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, é um dos principais aliados em São Paulo. Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo Distrito Federal, grava peças e publica mensagens dirigidas sobretudo às mulheres, além de manter influência entre cristãos e evangélicos.
A mobilização de Flávio também mira jovens, religiosos e eleitores interessados em segurança pública e economia. Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, defende a ampliação da participação desses aliados e a insistência em temas como a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o cientista político Leandro Consentino, professor do Insper, as duas campanhas enfrentam um eleitorado desgastado por uma sucessão de crises. O desafio, segundo ele, é converter a preferência indicada nas pesquisas em comparecimento efetivo às urnas. “Esse será o grande desafio para ambos”, afirmou.







