A eleição presidencial de 2026 pode ser decidida por margens estreitas entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Três fatores estatísticos devem influenciar o resultado: a transferência de votos dos candidatos que perderem força no primeiro turno, o comportamento dos indecisos e a taxa de abstenção.
O primeiro ponto é a possível desidratação dos demais concorrentes, fenômeno observado em eleições presidenciais anteriores. Como esses nomes estão mais associados à direita, uma concentração de votos nesse campo tende a favorecer Flávio Bolsonaro. O economista Maurício Moura chegou a considerar possível uma vitória do senador já na primeira etapa da votação.
No caso dos indecisos, o histórico das disputas indica vantagem para o candidato que ocupa a Presidência, especialmente no segundo turno. Embora esse eleitorado costume se distribuir entre os concorrentes na reta final, a escolha por manter o caminho conhecido pode favorecer quem busca a reeleição. Esse comportamento tende a impulsionar Lula na votação.
Abstenção e perfil etário
A terceira variável é a participação efetiva do eleitorado. A comparação entre pesquisas e resultados das urnas mostra que a abstenção, em geral, prejudicou mais o PT nas últimas disputas. O efeito, porém, depende da composição etária dos eleitores de cada candidato.
Em 2022, a abstenção alcançou 21,06% entre eleitores de 16 a 24 anos e 32,15% entre aqueles com mais de 60 anos. Nas demais faixas, o índice foi de 16,53%.
Lula tem vantagem entre os eleitores mais velhos, enquanto Flávio lidera entre os mais jovens no segundo turno. Essa diferença em relação a 2022 pode reduzir parcialmente o impacto negativo da abstenção sobre o petista. Ainda assim, o eleitorado acima de 60 anos soma 36,5 milhões neste ano, contra 19,2 milhões entre aqueles com até 24 anos. Como a abstenção também é maior entre os idosos, o efeito pode atingir mais a base de Lula e beneficiar Flávio.
A estimativa não é precisa porque existem diferenças relevantes dentro das faixas etárias. A participação é naturalmente menor entre eleitores com voto facultativo, como pessoas acima de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos. Como as pesquisas nem sempre detalham esses grupos, a projeção fica mais difícil. Os institutos também ajustam suas ponderações para reduzir esse impacto, mas, em termos gerais, a abstenção representa uma preocupação maior para Lula.







