BRASÍLIA — Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Edson Fachin agiu corretamente para conter a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), mas precisa fazer mais para “pôr ordem na casa”. Em entrevista ao SBT, o presidente também defendeu que os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes sejam investigados.
A manifestação ocorreu enquanto Fachin articula os próximos passos do caso envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O presidente do STF liberou para os gabinetes dos ministros a íntegra do processo que trata de possíveis ligações entre Moraes e o banqueiro.
Sigilo parcialmente retirado
Por solicitação de Fachin, Mendonça retirou parcialmente o sigilo do inquérito que investiga fraudes cometidas por Vorcaro e de outros 14 processos relacionados às apurações. Permaneceram protegidas informações sobre diligências que ainda precisam ser mantidas em segredo para não prejudicar a investigação.
Fachin também pediu o envio dos autos aos demais integrantes da Corte. Mendonça informou que seu gabinete adotaria as medidas administrativas necessárias para produzir cópias digitais dos processos. “Registro que estão sendo adotadas as providências administrativas necessárias à remessa de cópia integral dos referidos autos”, afirmou o ministro.
A disputa entre integrantes do STF começou depois que Mendonça retirou o sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre a proximidade de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com Vorcaro. Moraes incluiu Mendonça no inquérito das Fake News, sob a alegação de que o colega é parcial e direciona investigações contra adversários.
Fachin retirou Moraes da relatoria desse inquérito, aberto de ofício há sete anos. Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos, e Flávio Dino o reconduziu ao cargo por decisão cautelar. Depois, Fachin reverteu os atos de Mendonça e Dino.
O presidente do STF marcou para o próximo dia 15 uma sessão plenária sobre eventuais medidas contra Moraes. Na pauta está o pedido de Mendonça para investigar o ministro por ligações com Vorcaro. Fachin ainda tenta definir se a sessão será presencial e aberta ao público ou realizada a portas fechadas.







