A demora de Edson Fachin em reagir à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) aproximou grupos rivais da Corte em torno de uma mesma cobrança: a necessidade de uma resposta da presidência. Tanto aliados de André Mendonça quanto integrantes do grupo ligado a Alexandre de Moraes defendem uma atuação mais rápida diante da sequência de decisões individuais e do descumprimento de ritos institucionais.
A tensão aumentou depois da divulgação de que Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro trocaram 51 mensagens ao longo de 21 dias. Desde então, Fachin tem adotado medidas processuais e fixado prazos sucessivos, sem exigir, até o momento, um esclarecimento público de Moraes sobre a relação com o ex-banqueiro.
A condução do caso foi seguida por decisões que aprofundaram a divisão interna. Mendonça retirou o sigilo das conversas entre Moraes e Vorcaro. Em resposta, Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade no inquérito das fake news.
Depois, Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal, sob a alegação de que ele teria usado a função para promover uma investigação ilegal contra o relator. Rodrigues recorreu diretamente a Flávio Dino, que revogou o afastamento em uma decisão tomada dentro de outro inquérito, relacionado ao desvio de emendas parlamentares para uma produção cinematográfica.
A intervenção de Dino foi interpretada, dentro do tribunal, como mais um exemplo de ministros usando processos sem relação direta com a disputa para suspender decisões de colegas. Um magistrado criticou a ausência temporária de comando na Polícia Federal: “Deixar uma instituição dessa complexidade sem chefia é uma irresponsabilidade”.
A decisão de Rodrigues de procurar Dino também reforçou, entre interlocutores da Corte, a percepção de que a presidência do STF não estaria enfrentando o conflito. Na ala de Mendonça, a pressão sobre Fachin é por uma reação contra o que seus integrantes consideram decisões ilegais do grupo rival.
Enquanto a disputa se intensifica, Moraes permanece sem prestar esclarecimentos públicos sobre as mensagens com Vorcaro. A falta de uma ação institucional de Fachin mantém o tribunal dividido e sem uma medida capaz de interromper o confronto entre os ministros.






