O inquérito das fake news deixou de ser conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes após sete anos. A decisão foi tomada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, mas o procedimento não foi definitivamente arquivado.
O plenário do STF deverá decidir em 15 de setembro se Moraes será investigado por suas ligações com Daniel Vorcaro. O caso ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação do ministro e sobre o alcance dos poderes concentrados na condução do inquérito.
A disputa também envolve o ministro André Mendonça. Fachin anulou novamente a decisão de Mendonça que havia retirado Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Ao mesmo tempo, Moraes perdeu a condução do inquérito das fake news, considerado uma de suas principais fontes de poder dentro da Corte.
Ministros identificados como governistas — Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin — queriam que Fachin adotasse outras medidas contra Mendonça. Entre elas estavam a retirada das relatorias do caso do Banco Master e da apuração sobre desvios do INSS. Os dois processos alcançam Fábio Lula da Silva, filho de Luiz Inácio Lula da Silva.
A condução desses casos permanece em disputa. A manutenção das decisões de Mendonça pode abrir espaço para novas medidas contra integrantes do grupo governista do Supremo. Já a restrição dos poderes do ministro pode alimentar suspeitas de acobertamento de crimes.
O inquérito das fake news havia sido alvo de ressalvas desde o período em que Moraes conduziu condenações, incluindo a de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Entre as críticas estava a acusação de que o procedimento teria restaurado a censura no Brasil. Com a retirada do caso das mãos de Moraes, o processo se aproxima de uma possível conclusão, embora seus próximos passos ainda dependam das decisões do tribunal.







