São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Petróleo e medidas sobre combustíveis elevam dólar e juros futuros

Moeda americana encerrou a sessão a R$ 5,1123, enquanto o Brent superou US$ 100 e interrompeu sequência de cinco quedas dos juros futuros.

Petróleo e medidas sobre combustíveis elevam dólar e juros futuros

A alta do petróleo e o anúncio de medidas para reduzir tributos sobre combustíveis interromperam, nesta quarta-feira, 9, uma sequência de cinco quedas dos juros futuros e levaram o dólar à vista a fechar em R$ 5,1123. A moeda americana subiu 0,52%, depois de atingir R$ 5,1153 no pior momento da sessão.

O contrato do Brent para novembro avançou 3,36%, a US$ 101,21 o barril, maior nível desde o fim de julho. O movimento ocorreu em meio a novos ataques a bases e navios dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e a ataques ucranianos contra a infraestrutura de energia da Rússia.

Combustíveis e curva de juros

Na última hora do pregão, Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que reduziu o PIS/Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro e diminuiu a cobrança sobre o etanol em R$ 0,19 por litro, zerando os tributos sobre o produto. Uma Medida Provisória também prevê subvenção adicional de R$ 1 por litro de diesel.

Em vídeo, Lula afirmou que o governo não vai “permitir” que os custos da guerra entre Estados Unidos e Irã afetem a economia brasileira. Após o anúncio, os juros futuros aceleraram a alta. As taxas longas chegaram a avançar mais de 20 pontos-base, em um movimento atribuído também ao impacto do petróleo sobre as expectativas de inflação.

O DI para janeiro de 2027 subiu de 13,571%, no ajuste anterior, para 13,58%. O contrato para janeiro de 2029 avançou de 13,705% para 13,865%, enquanto o vencimento de janeiro de 2031 passou de 13,902% para 14,095%.

Para Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, as medidas devem retirar 0,15 ponto porcentual do IPCA deste mês: 0,11 ponto pela gasolina e 0,04 ponto pelo etanol. Eduardo Cohn, gestor de portfólio da Heritage Capital, avaliou que a iniciativa melhora a inflação no curto prazo, mas pode pressioná-la no longo prazo.

Pressão externa sobre o real

A piora do ambiente internacional afetou principalmente as moedas de países emergentes, após nova alta dos rendimentos dos Treasuries. Às 17h13, o rendimento da T-Note de 10 anos subia de 4,794% para 4,839%. O Tesouro dos Estados Unidos informou uma recompra de US$ 6 bilhões em títulos com prazo de 10 a 20 anos, prevista para ocorrer nesta quinta-feira.

O índice DXY, que acompanha o dólar diante de seis moedas fortes, subia 0,04% por volta das 17h, aos 98,828 pontos. A valorização do iene limitou o avanço do indicador, enquanto a coroa norueguesa, ligada ao petróleo, avançou cerca de 0,30%.

Marcelo Bacelar, gestor de portfólio da Azimut Brasil Wealth Management, disse que houve uma “realização técnica” em ativos domésticos depois do rali associado à reconfiguração do quadro eleitoral. Para ele, a abertura da curva de juros americana, com a perspectiva de alta da taxa pelo Federal Reserve, prejudica o real.

Bacelar espera que a taxa Selic seja reduzida em 0,25 ponto porcentual no dia 16, para 13,75% ao ano, enquanto o Fed elevaria os juros em 0,25 ponto. Segundo o gestor, o Banco Central ainda poderia promover cortes nas duas últimas reuniões do ano. Nesta sexta-feira, 11, serão divulgados o IPCA e o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos.

Bolsa e cenário político

O Ibovespa encerrou aos 185.629,04 pontos, com queda de 0,93%, embora tenha se afastado das mínimas. A Petrobras foi a única ação entre as blue chips a terminar o pregão em alta, acompanhando a valorização do petróleo.

Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimento, afirmou que o mercado acompanha os desdobramentos da disputa entre ministros do Supremo Tribunal Federal, que, em sua avaliação, afeta o cenário eleitoral. Após o fechamento do câmbio, Edson Fachin suspendeu a tramitação da ação sobre diálogos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, que estava sob os cuidados de André Mendonça.

Rodrigo Knudsen, sócio da Portogallo Family Office, disse que os ativos devem continuar oscilando enquanto não houver uma definição sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã e sobre a eleição brasileira. No mercado cambial, o real acumulava queda de 1,31% no mês, depois de avançar 2,16% em agosto.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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