São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Separação de julgamentos abre espaço para impasses no STF no caso Master

Ala ligada a Moraes avalia questionar a participação de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux antes da análise do mérito.

Separação de julgamentos abre espaço para impasses no STF no caso Master

A decisão de Edson Fachin de separar os julgamentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça elevou a possibilidade de a sessão do Supremo Tribunal Federal prevista para terça-feira (15) ser interrompida por um pedido de vista. Pelo menos cinco ministros avaliam esse cenário, que permitiria mais tempo para examinar os autos e poderia viabilizar, posteriormente, uma análise conjunta dos casos.

O pedido de vista pode durar até 90 dias. A medida também responderia ao argumento de Fachin de que o processo sobre Mendonça ainda não está pronto. O presidente do STF marcou para a semana seguinte, no dia 23, a sessão sobre as suspeitas de abuso de autoridade e de uso de métodos ilegais atribuídas ao ministro.

Fachin afirmou que o prazo dado para Mendonça se manifestar sobre sua atuação na relatoria do caso Master termina apenas no dia 21. Por isso, manteve para terça-feira o julgamento relacionado a Moraes, sem incluir o processo que trata da conduta de Mendonça.

Questionamentos sobre Kassio e Fux

Nesse contexto, ministros alinhados a Moraes estudam apresentar uma questão de ordem para discutir se Kassio Nunes Marques e Luiz Fux podem votar. A iniciativa poderia ser apresentada por Gilmar Mendes, Flávio Dino ou Cristiano Zanin, que apoiam Moraes.

O questionamento teria como base possíveis conflitos de interesse relacionados aos filhos dos dois ministros e ao Banco Master. Uma consultoria ligada ao advogado Kevin Marques, filho de Kassio, recebeu R$ 6,6 milhões do Master. Rodrigo Fux, filho de Fux, esteve entre os convidados de Daniel Vorcaro, dono do banco, em um camarote VIP da Sapucaí, em 2025.

Os ministros ligados a Moraes avaliam que esses episódios precisam ser analisados antes do julgamento avançar para o mérito das mensagens enviadas por Vorcaro. Kassio tem dito que se considera apto a votar por não manter relação com o ex-banqueiro. Pessoas próximas a ele afirmam que o ministro foi avisado de que seu filho será citado na sessão.

Fux não comentou com auxiliares a possibilidade de ter a imparcialidade questionada. Seu filho afirmou, quando sua presença no camarote veio a público, que não era amigo de Vorcaro e que nunca havia atuado como advogado dele.

Disputa sobre a pauta do tribunal

Gilmar, decano do STF, havia proposto a Fachin que os casos de Moraes e Mendonça fossem julgados juntos. Para ele, os processos são correlatos e não podem ser separados. Fachin rejeitou o pedido e manteve a divisão das sessões.

A ala favorável a Moraes também pretende levar ao plenário outros episódios relacionados a Mendonça. Entre eles estão um encontro do ministro com Vorcaro em 2025 e a suspeita de que ele teria recebido um terno de pessoas ligadas ao ex-banqueiro. Mendonça nega essa acusação.

O ministro declarou que Vorcaro o procurou para tratar de um processo sobre precatórios e que apenas o ouviu. Segundo Mendonça, ele votou contra a posição defendida pelo ex-banqueiro no julgamento do caso.

Auxiliares de três ministros consideram que o tribunal também terá de abordar um relatório que aponta Toffoli como beneficiário final de um fundo que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro. Dias Toffoli indicou que não votará, pois já se declarou suspeito em processos relacionados ao Master. Ele nega irregularidades e diz não ter amizade com Vorcaro. Também afirmou que as alegações da Polícia Federal contra ele foram apresentadas aos ministros em fevereiro e arquivadas pelo plenário.

A discussão ocorre após Mendonça tornar pública a documentação do caso Master nas noites de quinta-feira (10) e sexta-feira (11), a pedido de Fachin. Ministros apontam falta de tempo para examinar o volume de documentos. Integrantes da ala de Moraes têm descrito a sessão como uma possível “carnificina institucional”, em razão da expectativa de que os episódios envolvendo diferentes ministros sejam expostos no mesmo período.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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