Uma história falsa sobre um suposto apoio de Flávio Bolsonaro a um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de “padroeira do Brasil” alcançou 397,2 mil menções nas redes sociais nas primeiras 17 horas após a divulgação inicial do caso, de acordo com levantamento do Instituto Democracia em Xeque. Dois em cada três posts eram de perfis de esquerda, em sua maioria associando o candidato à medida, embora essa relação não tivesse sido apresentada na informação original.
A informação foi corrigida horas depois, com um pedido de desculpas pelo erro. O esclarecimento informou que a proposta havia sido apresentada na Câmara dos Deputados em 2007 e arquivada em 2008.
Na sexta-feira, 25, o vice-presidente Geraldo Alckmin publicou uma mensagem sobre o tema. Sem citar Flávio Bolsonaro, afirmou ter recebido mensagens de católicos preocupados com informações que circulavam desde a quinta-feira, 24. “Enquanto eu e o presidente Lula governarmos o Brasil, as tradições religiosas tão sagradas para as famílias brasileiras estarão protegidas, preservadas”, escreveu. Alckmin também disse que o Brasil respeita todas as religiões.
Flávio Bolsonaro negou duas vezes ter apoiado a proposta. Na primeira manifestação, afirmou: “É uma mentira que eu teria apoiado algum projeto que fosse retirar Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.” Ele também disse que o episódio era uma fake news e que não existia projeto em tramitação.
Depois, o candidato afirmou respeitar todas as religiões e disse ser cristão e evangélico. Também criticou a aproximação de Lula com o catolicismo e declarou que o Estado não deveria “se meter na igreja”.
Projeto foi arquivado
A proposta foi apresentada pelo então deputado federal Victório Galli, filiado à época ao MDB, em dezembro de 2007. O texto pretendia alterar a lei que criou o feriado de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro. Entre as mudanças, estava a substituição de “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O projeto foi arquivado em agosto de 2008, por recomendação de Átila Lira, relator na Comissão de Educação e Cultura. O deputado classificou a alteração como de “total falta de amparo constitucional”.
A proposta voltou a circular na noite de quinta-feira, 24, como se ainda estivesse em tramitação. Em outubro de 2022, uma montagem que simulava o perfil de Jair Bolsonaro também havia atribuído ao então presidente a intenção de acabar com o feriado de Nossa Senhora Aparecida. A publicação nunca existiu.







