A proposta de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil existe desde 2007, mas não foi aprovada pelo Congresso. O debate voltou ao centro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a circulação de informações sobre setores evangélicos ligados ao senador que defendem a mudança. O candidato classificou a informação como falsa.
Nossa Senhora Aparecida mantém o reconhecimento oficial. O papa Pio XI declarou a santa Padroeira do Brasil em 1930. Em 1980, durante a visita do papa João Paulo II ao país, o dia 12 de outubro foi transformado em feriado nacional por lei federal. A proposta legislativa não alterou nenhuma dessas condições.
Manifestações ligadas ao entorno de Flávio Bolsonaro
JB Carvalho, pastor da Comunidade das Nações, defendeu expressamente a retirada do reconhecimento nacional de Nossa Senhora Aparecida e registrou essa posição em livro. A igreja é frequentada por Flávio Bolsonaro e por sua esposa, que foram batizados no local.
A declaração voltou a circular nas redes sociais, assim como a manifestação de um assessor de Flávio Bolsonaro que criticou a devoção católica a Maria e classificou a prática como idolatria. Os episódios passaram a ser associados ao debate atual e ao histórico de declarações de integrantes do entorno político e religioso do senador.
A Igreja Católica no Brasil também vinha acompanhando episódios de intolerância religiosa e ataques a símbolos religiosos. Documentos produzidos e discutidos internamente pela instituição reúnem registros sobre manifestações contra católicos, judeus e religiões de matriz africana. O monitoramento aparece de forma mais sistemática a partir de 2019 e foi discutido em conferências, seminários e reuniões da cúpula da Igreja.
Entre os temas acompanhados estavam ataques contra Nossa Senhora Aparecida e a atuação de setores neopentecostais no debate político e religioso. A documentação também registra discussões internas sobre o uso de discursos religiosos e a presença de pessoas associadas a essas pautas dentro do aparelho do Estado.
Esse histórico foi relacionado ao vídeo publicado por Flávio Bolsonaro em 23 de agosto, no qual o candidato afirmou que, caso eleito, decretaria “Jesus Cristo o Senhor do Brasil”.
Episódios anteriores
A tensão entre setores neopentecostais e a devoção católica a Nossa Senhora tem registros anteriores. Em 1995, Sérgio von Helde, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um programa de televisão. O episódio ficou conhecido como “chute na santa” e provocou reação da Igreja Católica.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil reagiu a declarações de Flávio Bolsonaro contra integrantes da Igreja Católica. Bispos também se manifestaram publicamente após os ataques do senador. A reação ocorreu enquanto declarações e registros antigos sobre Nossa Senhora Aparecida voltavam a circular nas redes sociais.
Luiz Inácio Lula da Silva comentou a controvérsia e afirmou que “esse negócio de mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável”. O presidente também mencionou o episódio de 1995. Até o momento descrito, o título de Padroeira do Brasil permanecia em vigor, e o feriado de 12 de outubro continuava no calendário nacional.








