SÃO PAULO — Flávio Bolsonaro usou o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista para associar o ministro Alexandre de Moraes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e explorar as revelações sobre a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro. A manifestação ocorreu a menos de um mês do primeiro turno e também serviu para reforçar a imagem de Flávio como herdeiro político de Jair Bolsonaro.
As mensagens entre Moraes e Vorcaro foram divulgadas depois que André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O episódio recolocou o ministro no centro dos ataques do bolsonarismo e forneceu um novo elemento para uma pauta já adotada pela campanha.
No discurso, Flávio falou em perseguição política e mencionou uma possível “terceira facada”. Ao mesmo tempo, afirmou ser necessário preservar o Supremo Tribunal Federal. O candidato também disse que “quem vota em Lula vota em Moraes”.
A campanha adotou cuidados para limitar o risco jurídico dos ataques. Flávio recebeu orientações para evitar críticas às urnas, ao sistema eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral, além de declarações que pudessem gerar questionamentos posteriores. Paulo Amador da Cunha Bueno, advogado de Jair Bolsonaro, permaneceu ao lado do candidato durante praticamente todo o discurso.
Símbolos do bolsonarismo
Bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos foram exibidas entre os manifestantes, enquanto um boneco inflável de Donald Trump se destacava acima da multidão. Moraes dominou gritos e cartazes. Mendonça, por sua vez, foi celebrado por parte do público como contraponto dentro do Supremo e ganhou um boneco inflável em sua homenagem.
A exploração das revelações envolvendo Moraes e Vorcaro ocorreu apesar da relação de Flávio com o ex-banqueiro. Vorcaro financiou o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, cuja captação teve participação direta de Flávio. O candidato cobrou do empresário, por meio de áudios, a liberação de novos repasses para a produção.
Um relatório do Coaf apontou uma transferência de US$ 1,6 milhão em setembro de 2025, oito dias depois de uma cobrança feita por Flávio. O candidato havia afirmado que o último repasse ocorrera em maio de 2025.
Flávio também vestiu uma camisa em homenagem ao pai, relembrou o atentado sofrido por Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, em 2018, e afirmou fazer campanha usando colete à prova de balas. Ao dizer que os presentes enxergavam nele alguém parecido com o ex-presidente, procurou apresentar sua candidatura como continuidade da trajetória política e simbólica de Bolsonaro.
Nikolas Ferreira reafirmou apoio ao ex-presidente e apresentou Flávio como candidato capaz de derrotar o PT. Tarcísio de Freitas cobrou uma resposta do Supremo às revelações envolvendo Moraes e defendeu a eleição de senadores de direita para ampliar a pressão sobre a Corte.
Houve confronto entre grupos de orientações políticas diferentes nos arredores da Paulista, e policiais intervieram. O episódio não alterou a dinâmica central do ato, concentrada nos discursos e na demonstração de mobilização eleitoral.
Ao final, Flávio acenou aos apoiadores com uma tesoura de papelão, em referência ao “tesouraço” de gastos que promete promover caso seja eleito. A cena reforçou a estratégia de associar sua candidatura ao legado político e ao vínculo construído por Jair Bolsonaro com seus seguidores.







