SÃO PAULO — A crise envolvendo Alexandre de Moraes foi apresentada como o principal fator de mobilização eleitoral no ato bolsonarista de 7 de Setembro, na Avenida Paulista. O evento teve como eixos as críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal e o apoio a André Mendonça, também integrante da Corte.
A avaliação é que a defesa institucional de Moraes pode produzir efeito contrário ao pretendido pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. O argumento considera que o discurso sobre a possibilidade de Lula indicar mais quatro ministros ao STF ultrapassa o eleitorado bolsonarista e pode alcançar outros grupos.
Disputa em torno do Supremo
Moraes é acusado de ter mantido, por meio da esposa, um contrato com Daniel Vorcaro, descrito no texto como uma relação financeira de milhões de reais cuja justificativa não teria sido apresentada. A acusação é contraposta à atuação do ministro em processos relacionados aos atos de 8/1/23 e à condução do inquérito das fake news.
André Mendonça, apontado como responsável por questionar a atuação de Moraes, também é alvo de críticas. Seus adversários afirmam que ele teria desrespeitado ritos formais. A avaliação apresentada é que eventuais falhas processuais de Mendonça devem ser corrigidas, mas não podem ser equiparadas às acusações dirigidas ao colega de tribunal.
A possível decisão de proteger Moraes é atribuída a setores do STF e da Polícia Federal. O cenário descrito inclui a possibilidade de o plenário da Corte impedir ou limitar uma investigação sobre o ministro. Para a análise, o resultado seria a percepção de que o Supremo atua como aliado preferencial do governo Lula.
Efeito sobre Flávio Bolsonaro
Nesse ambiente, Flávio Bolsonaro aparece como o principal beneficiário político da crise. A avaliação aponta uma contradição: Moraes conduziu o processo que levou Jair Bolsonaro à prisão por tentativa de golpe de Estado, mas a reação em defesa do ministro pode fortalecer justamente um integrante da família do ex-presidente.
O texto também relaciona o episódio a decisões anteriores favoráveis a Flávio. Em novembro de 2021, a segunda Turma do STF considerou ilegais provas do caso das chamadas rachadinhas, por questões formais, e não pelo conteúdo das investigações. A conclusão apresentada é que a associação entre Moraes e a esquerda pode ampliar o desgaste do PT durante a disputa eleitoral.







