São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Festival de Brasília reúne filmes sobre memória, política e ancestralidade negra

Longa e dois curtas da Mostra Competitiva Nacional abordam mudanças políticas, religiosidade de matriz africana e violência contra a população negra.

Festival de Brasília reúne filmes sobre memória, política e ancestralidade negra

A Mostra Competitiva Nacional da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro reúne, nesta segunda-feira (14), três produções centradas em memória, política e ancestralidade negra. A programação inclui o longa “Tudo é Tempo”, de Marcos Guttmann, e os curtas “Fundura”, de Catapreta, e “Cidão”, de Alessandra Gama.

Em “Tudo é Tempo”, Guttmann acompanha durante vinte anos a transformação de personagens que declararam voto em Lula desde 2002. O projeto surgiu com a intenção de observar como a vida de pessoas comuns mudaria ao longo do governo Lula, em um período de esperança e expectativa de mudanças no Brasil.

Entre os personagens, o diretor destaca Fernando, homem negro e morador da Cidade de Deus. Inicialmente, ele justificava o voto em Lula por critérios práticos, como a variação nos preços do arroz e do cimento. A mudança de opinião do personagem em 2018 foi apontada por Guttmann como um dos momentos de maior impacto do processo.

O diretor também reconhece a influência de Eduardo Coutinho na forma de observar os personagens, especialmente na prática do não julgamento e no exercício de alteridade.

“Fundura”, de Catapreta, parte de uma reflexão sobre o esvaziamento dos terreiros de candomblé e umbanda no Brasil contemporâneo. O filme busca retratar o homem negro contemporâneo e suas contradições, relacionando esse processo à hegemonia das igrejas evangélicas e ao consequente embranquecimento dos terreiros.

A animação foi escolhida porque, segundo Catapreta, permite transpor elementos considerados complexos para o cinema convencional. O roteiro foi concebido durante o período em que o diretor passou a se dedicar exclusivamente à animação.

Já “Cidão”, de Alessandra Gama, transforma uma memória pessoal em narrativa política sobre a violência urbana letal contra a população negra. A diretora relaciona as lembranças individuais aos índices e aos impactos coletivos dessa violência.

O filme combina memória e fabulação para reconstruir experiências ligadas à formação da diretora como indivíduo, filha e sujeito no mundo. A obra é apresentada como uma elaboração visual contra o esquecimento.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5