São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Conflito no STF mantém dois temas trabalhistas sem previsão de julgamento

A indefinição sobre vínculo em plataformas e pejotização amplia a insegurança para empresas, trabalhadores e o Judiciário.

Conflito no STF mantém dois temas trabalhistas sem previsão de julgamento
Foto: Dida Sampaio/Estadão

Dois dos principais temas trabalhistas em análise no Supremo Tribunal Federal (STF) permanecem sem julgamento e sem nova data prevista. A indefinição envolve o vínculo de emprego entre motoristas e plataformas digitais e a validade da contratação de autônomos e pessoas jurídicas para a prestação de serviços.

O Tema 1.291, tratado no RE 1.446.336, começou a ser analisado em 1º de outubro de 2025. Após as sustentações orais, a sessão foi suspensa no dia seguinte sem voto de mérito. O julgamento também foi adiado em novembro de 2025 e em junho de 2026. Em 27 de agosto de 2026, terminou novamente sem decisão.

A discussão sobre a contratação de autônomos e pessoas jurídicas está no Tema 1.389, do ARE 1.532.603. O processo trata também da competência para analisar possíveis fraudes nesses contratos. Em 14 de abril de 2025, o relator suspendeu os processos em tramitação no país. Em 18 de junho de 2026, autorizou parcialmente o andamento nas varas e nos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs), mas manteve a suspensão no Tribunal Superior do Trabalho (TST). O desfecho continua condicionado à tese que será definida pelo STF.

A composição da Corte acrescenta incerteza ao calendário. O tribunal opera com dez ministros desde outubro de 2025, após a rejeição, pelo Senado, de uma indicação presidencial em novembro daquele ano. A vaga aberta depois da aposentadoria de Luís Roberto Barroso será preenchida por indicação de quem assumir a Presidência da República em janeiro de 2027.

Também estão previstas mudanças futuras. Luiz Fux deixará o STF por aposentadoria compulsória em 26 de abril de 2028. Cármen Lúcia sairá em 19 de abril de 2029, e Gilmar Mendes, relator do Tema 1.389, em 30 de dezembro de 2030. Nesse intervalo, três ou quatro das onze cadeiras poderão mudar de ocupante, inclusive a relatoria da ação sobre a pejotização.

Efeitos sobre empresas e trabalhadores

Na pejotização, a liberação parcial permite que processos avancem nas instâncias inferiores, mas sem um parâmetro nacional. Com isso, critérios regionais podem ser consolidados e posteriormente modificados pela tese do Supremo.

Na chamada uberização, plataformas permanecem expostas a uma definição jurídica futura, enquanto trabalhadores seguem sem clareza sobre sua proteção previdenciária. A situação também alcança o debate sobre o fim da jornada 6x1 no Congresso Nacional, em um ambiente de tensão no Senado e de centenas de pedidos de impeachment de ministros do STF.

A eventual redução do número de votantes ou o afastamento de um ministro poderia produzir maior instabilidade nas maiorias. Nesse cenário, teses vinculantes aprovadas sob suspeição entre julgadores poderiam ter sua autoridade questionada.

A demora, portanto, mantém em aberto decisões com impacto sobre relações de trabalho, modelos de negócio e processos judiciais. A conclusão dos dois temas dependerá não apenas da retomada dos julgamentos, mas também da composição da Corte no momento em que os casos forem efetivamente decididos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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