São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Filme sobre Bolsonaro teve denúncias de alimentação precária e atrasos

Relatório do SATED/SP reúne 15 ocorrências de trabalhadores; produção nega que Daniel Vorcaro tenha financiado o longa.

Mesmo com aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro, filme sobre Bolsonaro foi denunciado por condições precárias
Foto: Reprodução/Evaristo SA/AFP

A produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, foi alvo de denúncias sobre comida estragada, alimentação insuficiente, atrasos de pagamento, assédio moral e revistas pessoais consideradas invasivas durante as gravações em São Paulo. As reclamações aparecem em um relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP), elaborado em dezembro.

O documento reúne 15 ocorrências formais registradas por figurantes e técnicos pelo canal de denúncias Reclame SATED. Os relatos envolvem brasileiros, artistas com e sem registro profissional (DRT) e profissionais que participaram das filmagens no estado.

Entre as queixas está a diferença de tratamento entre o elenco estrangeiro e os figurantes brasileiros. Enquanto a equipe principal teria acesso a café da manhã e almoço em sistema self-service, os figurantes recebiam um kit com pão com frios, uma maçã, uma paçoca e um suco. Segundo os relatos, a alimentação não era suficiente para jornadas superiores a 8 horas.

O relatório registra ainda o fornecimento de comida estragada em 30 de outubro de 2025. Também há denúncias de cachês abaixo do padrão de mercado, pagamentos atrasados, contratação informal por grupos de WhatsApp e pagamentos em dinheiro sem emissão de nota fiscal.

Alguns trabalhadores afirmaram que precisavam pagar R$ 10 pelo transporte até as locações. O valor, segundo os relatos, era cobrado em dinheiro ou descontado do cachê ao fim da diária.

Denúncias durante as gravações

Os trabalhadores também relataram episódios recorrentes de assédio moral e condições precárias. Um figurante afirmou ter sofrido agressão física no set, registrado boletim de ocorrência e informado que faria exame de corpo de delito.

As revistas na entrada das locações foram descritas como invasivas. De acordo com os relatos, seguranças faziam abordagens com toques em partes íntimas e nos seios dos figurantes.

O relatório menciona ainda a utilização de equipe técnica estrangeira sem o recolhimento de taxas obrigatórias previstas na Lei nº 6.533/78. Segundo o documento, o SATED/SP e o SINDICINE não registraram pagamentos pela contratação desses profissionais, e contratos não teriam sido enviados para a obtenção do visto obrigatório das entidades sindicais.

O SATED/SP afirmou que não faz acusações diretas contra a produção. O sindicato informou que os relatos serão analisados pelas autoridades competentes, com garantia de contraditório e ampla defesa.

Financiamento contestado

A produção também entrou no centro do debate após a divulgação de mensagens e áudios trocados entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo as mensagens, Vorcaro teria transferido R$ 61 milhões para o filme entre fevereiro e maio de 2025, por meio de um fundo nos Estados Unidos ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

Em áudio enviado em setembro de 2025, Flávio afirmou que o filme atravessava um “momento muito decisivo” e demonstrou preocupação com os atrasos nos pagamentos. Semanas depois, disse que a equipe estava “no limite” e convidou Vorcaro para um jantar com Jim Caviezel, protagonista do longa.

Flávio Bolsonaro afirmou que o financiamento ocorreu com dinheiro privado e negou irregularidades. Depois, confirmou ter pedido recursos ao banqueiro, mas disse não manter “relações espúrias” com Vorcaro.

A GOUP Entertainment negou que o banqueiro tenha financiado o filme. A empresa afirmou que não há recursos de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas sob seu controle entre os investidores de “Dark Horse” e repudiou associações sem comprovação documental, financeira ou contratual.

De acordo com a Ancine, o longa tem orçamento de R$ 28 milhões, dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda. Dirigido por Cyrus Nowrasteh e escrito com Mark Nowrasteh, a partir de argumento de Mario Frias, o filme é descrito como um thriller político inspirado na campanha presidencial de 2018 e no atentado sofrido por Bolsonaro durante o período eleitoral.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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