São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Flávio Bolsonaro admite negociação com Vorcaro após negar vínculo com o banqueiro

Senador reconheceu ter buscado financiamento para um filme sobre Jair Bolsonaro, depois de associar o caso Master ao PT e à esquerda.

As mudanças nas versões de Flávio Bolsonaro sobre sua ligação com Daniel Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter negociado com Daniel Vorcaro pagamentos para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração ocorreu depois de mensagens e áudios atribuídos aos dois serem divulgados e contradiz negativas anteriores do parlamentar sobre qualquer ligação entre sua família e o banqueiro.

Flávio afirmou que a negociação envolvia um contrato de patrocínio privado para a produção de Dark Horse, ainda não lançada. De acordo com as informações divulgadas, Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões, dentro de um acordo total de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época.

O senador disse que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando ainda não havia acusações contra o banqueiro. Também afirmou que procurou o empresário depois que parcelas deixaram de ser pagas: “Sim, tinha um contrato”.

Flávio negou ter oferecido vantagens em troca do financiamento, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro ou qualquer benefício pessoal. Ele classificou o acordo como “patrocínio privado para um filme privado” e voltou a defender a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o Banco Master.

Negativas anteriores

Antes de reconhecer a negociação, o senador havia negado que Vorcaro tivesse financiado o filme. Na quarta-feira (13/05), quando questionado sobre o assunto, respondeu: “É mentira”. No mesmo dia, após a divulgação dos diálogos, admitiu que havia pedido dinheiro ao banqueiro.

Em 23 de março, Flávio havia chamado de “narrativa falsa que o Lula tem criado” a associação entre o escândalo do Banco Master e a direita. Em outras manifestações, afirmou que o caso era ligado ao PT, ao presidente Lula e à esquerda. Durante um evento de pré-campanha em Santa Catarina, usou uma camiseta com a frase “O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula”.

O senador também acusou Rui Costa e Jaques Wagner de ligação com a estruturação e a expansão de operações de crédito consignado do CredCesta, vendido pelo Banco Master. Costa nega irregularidades e diz que apenas vendeu um negócio estatal deficitário. Wagner afirma que não participou de negociações nem intercedeu por empresas ou contratos.

Dados enviados pela Receita Federal à CPI que investiga o crime organizado indicaram que, entre 2022 e 2024, o Master registrou R$ 2,4 bilhões em receita com a venda da carteira de consignados do CredCesta, contra R$ 1,9 bilhão gerado pelas mesmas operações.

Pressão por investigação

Em 25 de março, Flávio disse que os “lulapetistas” tinham explicações a dar sobre o caso. Em 9 de maio, afirmou que o PT havia tentado impedir a CPI. Em 10 de maio, declarou que o Banco Master era de Lula e relacionou o escândalo a outros casos atribuídos ao presidente.

As manifestações ocorreram enquanto Vorcaro estava preso, acusado de comandar fraudes bilionárias no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro. O banqueiro negociava um acordo de delação premiada.

O senador também havia minimizado a relação entre Vorcaro e a campanha de Jair Bolsonaro depois que Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, fez uma doação de R$ 3 milhões. Na ocasião, Flávio disse que a contribuição ocorreu sem vinculação ou contrapartida e afirmou que a conta do Banco Master estava “longe de chegar perto da direita”.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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