São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

EUA cobraram compromisso do Brasil sobre eleições de 2026 em negociação sigilosa

Documento com 21 demandas enviado em outubro de 2025 condicionava o diálogo sobre tarifas a eleições livres e participação de opositores.

EUA cobraram compromisso do Brasil sobre eleições de 2026 em negociação sigilosa

O governo de Donald Trump exigiu que o Brasil se comprometesse com eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não impedisse arbitrariamente a participação de dissidentes políticos. A exigência foi incluída em um documento com 21 demandas, apresentado a negociadores brasileiros durante as tratativas diplomáticas abertas após a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

O texto foi entregue em 16 de outubro de 2025 a uma missão brasileira liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A proposta determinava que o Brasil não detivesse, prendesse nem limitasse a participação de opositores no processo eleitoral. Embora Jair Bolsonaro não fosse citado, integrantes do governo brasileiro interpretaram o trecho como uma referência à possibilidade de participação do ex-presidente na disputa.

“O Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026”, afirma o documento. Bolsonaro havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe e já estava inelegível até 2030 por abuso de poder político.

Reação brasileira e conteúdo da proposta

Segundo integrantes da diplomacia brasileira, Vieira considerou o documento inaceitável e orientou sua equipe a informar os americanos de que ele não deveria ser levado às reuniões formais daquele dia. O ministro também teria dito que a proposta “não era base para nada”.

Vieira se reuniu reservadamente com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e participou de uma reunião ampliada com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, além de integrantes do Departamento de Estado e da Casa Branca. Os encontros ocorreram no Edifício Eisenhower, em Washington.

O Itamaraty não comentou oficialmente o conteúdo da proposta. O Departamento de Estado e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos também não responderam aos pedidos de manifestação.

A maior parte das 21 demandas tratava de comércio. Quatro pontos, porém, abordavam questões político-institucionais brasileiras. Além das eleições, o governo Trump pediu compromissos sobre liberdade de expressão, decisões relacionadas a publicações em redes sociais e a não punição de instituições financeiras brasileiras que cumprissem sanções americanas.

O documento também previa que o Brasil não aplicasse multas, congelasse ativos ou prendesse cidadãos americanos, residentes legais ou empresas americanas por condutas protegidas pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

As exigências foram apresentadas no contexto das sanções aplicadas pelo Escritório de Controle de Ativos Financeiros contra o ministro Alexandre de Moraes, sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o instituto Lex. Autoridades americanas acusaram Moraes de censura, detenções arbitrárias e processos politizados, inclusive contra Bolsonaro.

Em 13 de novembro, Vieira afirmou que o Brasil havia enviado uma contraproposta no dia 4 de novembro. Auxiliares do ministro disseram, porém, que a resposta desconsiderou as demandas inicialmente apresentadas pelo representante comercial americano.

O governo Lula já havia acusado os Estados Unidos de ingerência em assuntos domésticos, violação da soberania e interferência no processo eleitoral brasileiro em razão de outras medidas adotadas durante a crise bilateral. Uma nova conversa entre os dois países deveria ocorrer no final do mês, em reunião do G-20.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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