O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, propôs o fim do poder de veto no Conselho de Segurança da ONU e a substituição dos assentos permanentes por mandatos rotativos. Pelo modelo defendido, os países seriam eleitos pela Assembleia Geral por períodos determinados e precisariam disputar novamente o apoio dos membros para permanecer no órgão.
A proposta foi apresentada em um artigo escrito por Erdoğan para a Bloomberg, durante sua passagem por Nova York para a 81.ª Assembleia Geral da ONU. O presidente turco afirmou que o Conselho ainda reflete o equilíbrio de poder do período posterior à Segunda Guerra Mundial e que crises como pandemias, choques de energia, rupturas nas cadeias de abastecimento e conflitos regionais não podem depender de um grupo reduzido de países.
Erdoğan também rejeitou a ideia de apenas ampliar o número de membros permanentes. Para ele, isso manteria a concentração das decisões. “A eliminação do privilégio de veto deve constituir, simultaneamente, o ponto de partida e o objetivo estratégico central de qualquer reforma significativa”, escreveu.
Atualmente, o poder de veto no Conselho de Segurança está nas mãos de Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França. Erdoğan defendeu uma coalizão ampla na Assembleia Geral para estabelecer que nenhum país possa bloquear permanentemente a vontade da maioria da comunidade internacional.
Relações com os Estados Unidos
Em um encontro com representantes do setor empresarial norte-americano, Erdoğan defendeu o reforço da cooperação entre Turquia e Estados Unidos na indústria de defesa, na energia e no comércio. O presidente afirmou que a produção conjunta no setor de defesa poderia ocorrer tanto na relação bilateral quanto no âmbito da Otan.
Segundo Erdoğan, as exportações anuais de material de defesa da Turquia passaram de 248 milhões de dólares, há 20 anos, para mais de 10 bilhões de dólares atualmente. A participação turca nas exportações globais desse tipo de material cresceu mais de 120% nos últimos cinco anos.
O presidente também afirmou que empresas turcas têm capacidade para investir nos Estados Unidos e mencionou oportunidades de produção conjunta. A Turquia, segundo ele, está pronta para ampliar a cooperação em energia nuclear, gás natural liquefeito, aviação civil e tecnologias de ponta.
O comércio bilateral ultrapassou 38 bilhões de dólares em 2025, depois de dobrar nos últimos dez anos. Nos primeiros oito meses deste ano, chegou a 28 bilhões de dólares, e a expectativa é encerrar o ano em cerca de 40 bilhões de dólares.
Erdoğan disse considerar possível atingir a meta de 100 bilhões de dólares em comércio, definida em conjunto com o presidente Donald Trump. Ele também afirmou que o diálogo com Trump contribuiu para as relações bilaterais e citou a visita do líder norte-americano a Ancara em julho, após um encontro em Washington no ano anterior.
Convite a investidores
Erdoğan convidou empresas dos Estados Unidos a investir na Turquia e afirmou que o produto interno bruto do país passou de 236 bilhões de dólares para 1,8 trilhão de dólares desde que assumiu o cargo. A expectativa apresentada por ele é que a renda per capita supere 20 mil dólares até o fim de 2026.
O investimento estrangeiro direto na Turquia se aproximou de 300 bilhões de dólares nos últimos 24 anos. O presidente também citou incentivos anunciados em abril, incluindo a redução do imposto sobre sociedades de 25% para 12,5% para investidores no país.
Erdoğan afirmou ainda que, após os terremotos de 2023, os escombros foram removidos e mais de 455 mil moradias foram concluídas e entregues às vítimas no prazo de três anos. Para o presidente, o processo demonstra a capacidade de resistência da economia turca diante de grandes choques.







