BERLIM, ALEMANHA — Friedrich Merz não disputa diretamente as eleições estaduais deste domingo (20), mas o desempenho de seu partido pode influenciar as discussões sobre o futuro do primeiro-ministro alemão. A CDU enfrenta riscos diferentes em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim, enquanto a AfD tenta avançar novamente nas urnas.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a principal ameaça para os democratas-cristãos é não atingir a cláusula de barreira de 5%. Seria a primeira vez em 81 anos que a CDU ficaria fora do Parlamento estadual. Lideranças locais atribuem o risco à atuação de Merz, descrito por elas como pouco sensível às demandas básicas da população.
A situação ocorre em um estado considerado um dos mais pobres da Alemanha. A social-democrata Manuela Schwesig tenta a reeleição depois de reduzir em mais de dez pontos percentuais a vantagem que a AfD tinha sobre seu partido. Leif-Erik Holm, candidato da legenda de extrema direita, concentra sua campanha na tentativa de atrair eleitores de centro.
Pressão sobre a CDU
Holm é visto como um moderado dentro da AfD, partido criado por economistas durante a crise do euro. No estado, porém, integrantes mais jovens foram recrutados em fraternidades estudantis radicalizadas, conforme informações atribuídas ao jornal Die Zeit. A legenda também tem membros investigados por discurso de ódio e neonazismo.
Schwesig adotou o confronto direto com a AfD e passou a se apresentar como a “mulher contra o azul”, em referência à cor do partido. Ela também contrariou o próprio SPD ao criticar o fim da aposentadoria antecipada aos 63 anos para trabalhadores com 45 anos de contribuição, medida anunciada pela coalizão. Políticos da CDU acompanharam a oposição, preocupados com o impacto eleitoral das reformas do governo.
A avaliação nacional de Merz também se deteriorou. Na última semana, 88% dos entrevistados disseram estar insatisfeitos com o primeiro-ministro, enquanto 10% aprovaram sua atuação. Eleito em 2025, o conservador enfrenta dificuldades para aprovar reformas em um país cuja economia está estagnada há anos. A defesa de mudanças na Previdência e de cortes em benefícios sociais ocorre enquanto a AfD amplia suas promessas.
A disputa em Berlim
Na capital, A Esquerda e a CDU aparecem à frente, dentro da margem de erro. O partido que conquistar a maior bancada terá condições de formar uma coalizão e indicar o prefeito, que também exerce a função de governador no modelo de cidade-estado.
Para Merz, uma derrota de Stefan Evers diante de Elif Eralp representaria um revés adicional. Antes das eleições federais de 2025, quando ainda era líder da oposição, ele declarou: “A esquerda acabou”. A Esquerda tenta conquistar pela primeira vez o governo de Berlim e centrou sua campanha no custo de vida.
A AfD já havia obtido quase 44% dos votos em Saxônia-Anhalt, há duas semanas, e ficado perto de formar seu primeiro governo estadual. Um resultado desse tipo teria peso simbólico para a Alemanha, que estruturou seu sistema político e suas garantias constitucionais após o Holocausto e a derrota na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com o objetivo de impedir o surgimento de um novo partido nazista.
Diante da possibilidade de resultados negativos nos dois estados, Merz cancelou sua ida à Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, e convocou o comitê executivo da CDU para a noite deste domingo. Nomes de possíveis substitutos já são discutidos: Hendrik Wüst, governador da Renânia do Norte-Vestfália, e Markus Söder, governador da Baviera.
Uma eventual troca exigiria a eleição de outro primeiro-ministro pela coalizão no Bundestag, o Parlamento, ou a formação de um governo minoritário. A convocação de eleições federais é considerada fora de cogitação porque a AfD venceria, conforme o cenário descrito no debate político alemão.







