BERLIM — A CDU deve perder a prefeitura de Berlim para A Esquerda, que poderá indicar pela primeira vez um governador para a cidade-estado. Elif Eralp, principal candidata da legenda, aparece como provável ocupante do cargo com uma proposta de coalizão com o SPD e os Verdes.
O resultado amplia a pressão sobre Friedrich Merz, primeiro-ministro e presidente da CDU, após as eleições estaduais deste domingo (20). Em pronunciamento depois do fechamento das urnas, ele disse que seu programa de reformas “é antídoto para o veneno autoritário” e afirmou que não pretende deixar o cargo.
Desempenho regional
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD obteve 37% nas projeções, à frente do SPD, de Manuela Schwesig, com 35,5%. A vantagem não deve levar a legenda de extrema direita ao governo: o resultado tende a manter Schwesig como governadora, embora a AfD tenha dobrado sua representação no Parlamento estadual.
A CDU teria superado por pouco a cláusula de barreira de 5% no estado, um dos piores resultados do partido em seus 81 anos de história. Integrantes da sigla na região atribuíram o desempenho à atuação de Merz e à política do governo, considerada insensível às demandas básicas da população.
Em Berlim, a AfD deve formar a terceira maior bancada, com 16% dos votos. A Esquerda aparece com 24,5%, seguida pela CDU, com 20%. A possível derrota na capital se soma ao avanço de Eralp, que fez da moradia o centro de sua campanha. “Quero me tornar prefeita de Berlim para que as pessoas da nossa cidade voltem a ter uma vida melhor”, afirmou.
Pressão sobre o governo
Os pleitos estaduais foram tratados como uma avaliação da administração de Merz. O primeiro-ministro convocou uma reunião do comitê executivo da CDU durante o domingo eleitoral e rejeitou especulações sobre seu futuro: “O que precisa ser feito agora exige firmeza, perseverança e paciência”.
A avaliação ocorre em meio à queda de popularidade do governo. Na última semana, Merz registrou 88% de insatisfeitos e 10% de aprovação. Eleito em 2025, o conservador enfrenta dificuldades para aprovar reformas em um país cuja economia está estagnada há anos.
Há duas semanas, em Saxônia-Anhalt, a AfD alcançou quase 44% dos votos e ficou próxima de formar seu primeiro governo. A legenda defende deportação em massa de imigrantes ilegais, a volta do marco alemão, uma eventual saída da União Europeia e a substituição da transição energética pelo retorno do gás russo.
Schwesig, cujo SPD integra a coalizão de Merz, criticou o primeiro-ministro, contestou pontos da reforma da Previdência e cobrou um teto para os combustíveis. “Uma advertência dirigida ao primeiro-ministro e a todo o governo”, disse ela ao resumir o resultado em seu estado.
Entidades judaicas manifestaram preocupação com o avanço de A Esquerda em Berlim. Integrantes do partido são investigados por antissemitismo em razão de manifestações de apoio à Palestina e de oposição às ações de Israel em Gaza.








